domingo, 14 de dezembro de 2014

Enquanto ele aquietava a cabeça entre os meus seios desnudos e sentia meu coração com o ouvido, calmo e sereno, sem roupa e por esse motivo da forma mais linda que ele poderia se apresentar, eu me sentia plena, em estado elevado de pureza e com um alívio de amor que só o sexo pode dar como consequência- isso, obviamente, quando a reciprocidade dos corpos e das almas estão no mesmo barco do amor/sexo. Eu só conseguia pensar no quanto o amava e estava naquele momento me entregando sem freios e amarras a um ser.
Quis desenhar aquele momento pra que minha memória não fosse a única forma de rememorar, mas não sei desenhar, então resolvi escrever. Talvez saia, é claro que sem muita fidelidade, uma descrição que expresse o quanto foi sublime ter entre os seios e os braços um alguém a quem devoto amor.
 O corpo dele sobre o meu, deitado no meu, sem peso, leve feito pluma. Corpo gentil em ser belo, ardia em prazer. Não que um corpo ideal me atraia, mas o dele, naquele breve momento era perfeito. Não porque fosse um corpo atlético e viril, mas porque eram o corpo e a alma dele que me beijavam o corpo e a alma. Olhei-o por inteiro e ao redor de nós... Um carro com janelas embaçadas, uma rua onde passavam a todo momento transeuntes inquietos com o carro no meio da calçada com as janelas embaçadas, uma cidade, um país, um planeta... Nada importava enquanto o tinha entre os seios e os braços e enquanto acalentava sua cabeça com as mãos e com o coração. Tinha entre os seios e os braços um ser que amo com absurdo amor.
Não pensava em futuro, em sentimento vindouro, e na possibilidade de vingar ou não. Pensava nele em mim, somente, dentro de mim de todas as formas que eu poderia tê-lo.

domingo, 7 de dezembro de 2014

   "Pra mim não tem jeito, não vai ter beijo final e não vai ter happy end"

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Nathalia..

Eu queria que tudo que eu sinto por você pudesse se expressar com toda a  sua complexidade e força em palavras, que escorressem pelos meus dedos a definição do que é ser sua amiga, irmã, parceira de loucuras, de abraços, beijos, tardes repletas de amor, noites de" filmes que a Elen nunca viu" e de uma vida que começamos a construir na parceragem, ali em meados de 2011. Mas não rola não é mesmo? Acho que não consigo falar com exatidão tudo que você é pra mim, e acho que é aí que um amor verdadeiro se expressa, na sua incapacidade de dizer e definir.
Muitas coisas mudaram, principalmente em mim, e me encanta nossa capacidade de mutabilidade e metamorfose de coisas daninhas ou para coisas daninhas (no caso do meu cigarro HAHA) e permanecermos com as coisas boas e singelas que conquistamos. Você é uma conquista (retire todo sentido material e objetificável dessa palavra) da qual eu sou muito feliz por conseguir levá-la comigo sempre, e muito mais feliz pela esperança de conseguir levá-la por toda a vida nas minhas vivências; nas minhas tardes de domingo na sua casa no sul, das suas tardes de domingo na minha casa na Bahia (por mais que a gente não consiga isso haha), das conversas em mesas de bar, dos abraços tantos que ainda vou receber dos seus braços, das discordâncias que ainda teremos mas que não afetarão nossa amizade, nas viagens pela América Latina que eu quero compartilhar com você, nas rodas feministas que entoaremos nossas vozes juntas, nos batidões e nos sambas que a gente adora, enfim... Desejo com veemência que tudo que tens feito por mim e tudo que és pra mim não esmoreça e não se perca, que sejamos, reciprocamente, amadas uma pela outra, que sejamos parceiras por esse mundão independente de escolhas e caminhos diferentes que, aliás, já começamos a traçar. Amo sua garra, sua força, sua disposição em ajudar quem você ama, sua bruteza carregada de candura e seu olhar cheio de amor pra iluminar o meu. Luz que emana dos seus olhos pros meus em forma de amor! Poste que ilumina meu caminho, parafraseando o tio da tatuagem. Falando nela, eu te amor por me amar e me fazer sentir tão amada. Obrigada por existir!


Isso não é só pelo seu aniversário, é em grande parte por ser o dia que tu veio ao mundo, mas também por ter cruzado o meu caminho e hoje podermos comemorar e celebrar a (sua) vida juntas.

Com muito amor, Elen, sua cabeçuda.

domingo, 2 de novembro de 2014

A aproximação que me une as pessoas me distancia com bruteza de mim mesma. Tenho me doado demais, entreguei sem questionamento minha respiração e meu fôlego a quem quer que fosse que precisasse de mim. Me anunciei a amores que iam se perdendo pelo caminho, com o intuito de atá-los a mim sem que pudessem rebelar-se ou não quererem minha existência nas suas. Não os deixei caminhar sozinhos, não me permiti respirar sem eles, me trancafiei com eles tal qual uma assaltante que faz refém outras pessoas depois de um assalto frustrado, e louca sem eira nem beira, admite como única fonte de salvação obrigar que todos permaneçam com ela, que sejam seu escudo. Fiz dos meus amores um escudo contra minhas frustrações e tristezas, por não suportar a agonia de viver sozinha, por medo de um futuro despovoado. Me fiz dependente, e isso, há tempos, e até na bíblia se diz, é erro grave e torturante. "Maldito o homem que confia no homem", aprendi por meio do catolicismo da minha mãe essa premissa, e hoje admito sua verdade, não pelo sentido religioso que se tem dela, mas por enxergar que depender de pessoas como eu, inconstantes e infelizes em suas ações, é prejudicial à saúde. "EU PRECISO APRENDER A SER SÓ".

sábado, 25 de outubro de 2014

"Você me bagunça e tumultua tudo em mim

A semana foi repleta de amor, eu devia estranhar e temer o que vem depois de tanto sentimento bom, mas o legado foi tão intenso que nem espaço pra medo e preocupação eu tenho. Suspiros me exprimem. Pedro, você me bagunça, me confunde, me desespera, me enlouquece, as vezes me entristece, mas me faz te amar com esse teu jeito tosco e insano de ser. Como forma de agradecimento pelas lindas tardes que me proporcionou, ofereço uma musiquinha de uma banda que você vive dizendo "que só gente boa escuta", achando ser o ser mais sem sentimentos e odioso que existe, pois bem , meu caro, não me entregaria a você como hoje o faço se uma pessoa má você fosse, e ódio é um sentimento que eu pouco percebo nas suas vivências, pare de tentar ser o que não consegue ser.
Eu te amo 
"Assimila, dissimula, afronta, apronta
Diz: "carrega-me nos abraços"
Lapida-me a pedra bruta, insulta
Assalta-me os textos, os traços
Me desapropria o rumo, o prumo
Juro, me padeço com você
Me desassossega, rega a alma
Roga a calma em minha travessia
Outro "porquê"

Parece que o coração carece e diz: "para!" Silencia
Se embrulha e se embaralha
Reconsiderar o ar, o andar
Nossa absolvição, a escuta e a fala
Nos amorizar o dia, a pia, o corredor
A calçada, o passeio e a sala
Se perder sem se podar e se importar comigo
Aprender você sem te prender comigo

Difícil precisar quanto preciso
Difícil precisar quanto preciso"

sábado, 18 de outubro de 2014

Nese mundo louco de respostas rápidas conversas vazias e superficiais, que logo são engolidas pelo arquivo de conversas das redes sociais, as vezes, como forma de destoar dessa realidade insana que não me permite mais guardar na memoria as conversas e papos longos, eu vou voltando a conversa do bate-papo das pessoas com que eu mais converso ou tenho afinidade e esses dias escolhi um ser que já está na minha vida a basteante tempo, ele me escreveu um dia, cheio de confusão e sentimento:
"Elen, eu ñ vou fazer um texto, mas eu ainda gosto d vc, queria q a gente tenta-se mesmo, queria marcar um dia pra gente conversar, mas se vc já ñ gostar mais d mim, ou ñ querer, ou sei lá, só falar q ñ, mas é q eu queria falar na cara mesmo, mas ñ sei como começar . então tá kkk é q eu ñ quero convencer vc a nada a primeira vista, eu só quero estar com vc se vc quiser estar comigo.Caso contrário eu só queria q vc quisse-se"
Há tanta poesia nos recônditos dessa tecnologização absurda. O mundo se reencanta nesses momentos.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

22 de Setembro de 2014.. 21 anos e algumas horas, é o que eu tenho de existência até o momento.
Estou em vertigem desde que cheguei em casa, depois de um dia não muito diferente de todos os outros a não ser pelo fato de que hoje completo 21 anos de idade e de primaveras. Nasci exatamente no primeiro dia de primavera, desde então a primavera sempre vem com o peso dos anos erigindo sobre mim. Ela sempre me foi uma estranha, seu clima e suas flores nunca me foram de fato um presente, onde moro sempre vem com a chuva e com o céu nublado. Mas esse ano foi diferente, demorou a escurecer pra chuva vir, só com o anoitecer que isso veio a acontecer, durante o dia só a promessa de chuva trazida pelo vento, nada de céu nublado sem mais nem menos (como comumente acontecem por aqui), a chuva não quis me assustar, me avisou que estava a caminho, mas não me tirou o sol com sua bruteza habitual pra que pudesse aparecer... Me beijou, e foi acariciando o meu  corpo quente e seco, me abraçando forte as vezes, me erguendo até as nuvens, me restituindo de algo, me preparando...Veio sorrateira e leve, queria ser percebida pela minúcia que talvez estimasse ela que só eu poderia sentir tão fortemente.
Chuva, vem purificar meu coração, lavar minhas vivências daninhas, limpar minha alma, encharcar meu ser com água doce e cristalina, acalentar minha mente com seu beijo trazido pelo vento antes da sua chegada, vem acariciar meu subjetivo com a leveza da sua garoa e a bruteza da sua torrente. Obrigada por ser sutil esse ano, por aperceber-se da minha sensibilidade e ter me poupado de algumas asperezas suas.

domingo, 7 de setembro de 2014

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Sinto enjoo quando alguma desumanidade me atinge.. Nada sai e nada entra, uma inércia no pensar e no agir me consomem. Um enjoo que não sabe se expressar completamente em vomito.

sábado, 30 de agosto de 2014

Eu só queria que alguém viesse, sem que eu precisasse clamar desesperadamente por socorro...

domingo, 24 de agosto de 2014


A solidão é meu cigarro
Não sei de nada e não sou de ninguém
Eu entro no meu carro e corro
Corro demais só pra te ver meu bem
Um vinho, um travo amargo e morro
Eu sigo só porque é o que me convé 
ESCREVER é meu socorro...

A gente se sente mais vivo e mais forte quando sana um desejo. Quanto atinge o gozo que é satisfazer uma vontade. Quando se vê livre do frenesi do querer muito alguma coisa. Não são borboletas no estômago, são beija-flores, loucos ao bater asas sem parar. É liberdade ligeira, mas intensa, forte, implacável. É sorriso faceiro no rosto, e suspiro loooongo na alma.
Tenho fome de pertencimento. Meu lugar é ao lado de quem me afirma, me enaltece, me lembra quem realmente sou. Há muito não me vejo cercada de meu lugar. Dar ré, rebobinar a fita, contornar o eixo do corpo, dar meia volta e andar pra trás. Sim, andar pra trás. Não sei de uma vida que não se construiu com o passado, com a ancestralidade. Vivo e sobrevivo da minha ancestralidade.

domingo, 22 de junho de 2014

,eu não quero ser o que ela é, só quero ter o mesmo brilho que ela tem nos olhos quando consegue ser.

terça-feira, 17 de junho de 2014

"E foi tão corpo que foi puro espírito"

Pensei em não escrever você, em não te edificar através da minha poesia no meu coração. Não posso deixar que isso aconteça com o ser que habita sua alma. Diante disso, estou aqui tentando te escrever no meu coração e na minha história. Não posso deixar sua imagem fugir da memória, nem o seu toque da minha sensação.
Não te conheci a ponto de saber quem, no intrínseco, você é, mas tenho em mim a impressão dos seus olhos e do seu sorriso, as poucas minúcias do seu jeito que eu pude decorar e sentir, os gestos e carinhos que de recíprocos nos firmava numa simbiose com desejo e ardência, um pela alma do outro. Era corpo e alma sim! Não sou desses humanos que não se entregam e que se resguardam quando decidem decolar pro alçar de voo ser mais tranquilo. Minha alma não se contenta com o pouco, quer em intensidade e subjetividade o demasiado, o incontrolável, o proibido, a adrenalina, a calma, a leveza, o prazer, a dor, tudo que me mantenha um pouco viva, um pouco em carne, osso e essência...Algo em você me atava sem chance de me rebelar em clemência por liberdade, era prisão que de tão inconsciente e em estado permanente de gozo, se fazia liberdade completa. Éramos negros de alma e corpo, perfeição existia quando mente e corpo de ambos se unia, coadunados pela ancestralidade, pelo misticismo e pelo querer saber sobre o mundo numa perspectiva étnica e cultural do outro, despertou minha antropologia, minha eco visão do mundo, minha sede de diversidade e harmonia com essa junção de relações interminavelmente FANTÁSTICA que é a natureza...Foi tão intenso e ligeiro, com fugacidade bruta que se fez fogo ardente, inflamável, mas passageiro... Seu legado ficou no meu corpo, não quero e não posso mais alma com alma.. Acho que nunca quis. É só que fugia de mim o controle da minha alma, quando seu corpo tocava o meu.

sábado, 14 de junho de 2014

Cabelo submerso, desafia leis da gravidade
nasce e cresce que nem árvore
Floresce, floreia, tem vida própria
Mas conjunta com o subjetivo de quem o possui
Possuidor esse que quebra padrões
Que mesmo sendo imposto um modelo de cabelo ideal
Consegue se libertar das amarras
E deixar florescer o cabelo poder...
Sem opressão, sem a maldita internalização da repressão
Conseguimos nos libertar
E conosco almejar e vangloriar
O cabelo força
Cabelo que ocupa espaços inatingíveis
Que engrandesce
Que busca os céus
Que não sabe se rebaixar
Só sabe se enaltecer
Se atirar
Cabelo ruim?
Lhe ofereço meus risos, senhor.
Quero é ver tu me mostrar
O que esse seu cabelo tem a mostrar...
" Te olho sem jeito, me abraça meu filho
Não sei se eu tentei tanto quanto eu podia
Se hoje teus olhos vislumbram com medo
Você já não vê e eu juro que havia
Te afago o cabelo, me abraça meu filho
Perdoa essa minha agonia
Se deixo você no absurdo planeta
Sem pique-bandeira e pelada vadia
Fujo do teu olho, me abraça meu filho "

"Só lhe dou um conselho, minha filha, pra tudo que for fazer ter sabedoria, saber onde tu tá pisando. O mundo é injusto, eu sei disso, eu entendo sua luta, só toma cuidado minha filha" .. Foi esse o conselho de uma mãe que se desesperou ao ver a filha com o rosto coberto numa manifestação da universidade em que estuda. Ela bem sabe dos auspícios da filha, da ideologia que segue, das virtudes que alimentam sua alma, da mudança radical de mundo que procura, da "utopia" para a qual caminha sem cessar ("Mudar o mundo meu amigo Sancho, não é utopia, é justiça")... Não é rebeldia, não são os hormônios da juventude, não é por puro prazer pelo conflito. É conflito pela existência de injustiça, desigualdade, repressão e opressão que ela mesmo sofreu a vida inteira. A mídia e o estado  tentaram moldá-la, estruturá-la dentro da lógica sistêmica de alienação e consenso gerados e impostos para obedecer e aceitar, mas nas minhas lágrimas, talvez, ela conseguiu enxergar a verdade, um pouco da realidade do mundo.Minha vitória ultima de cada dia foi essa, sentir o abraço dela em apoio e posse da causa que ela me ofertou. Me deixa no absurdo planeta que eu vou tentar sobreviver, só não me deixa sem o abraço quando eu voltar!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

"Que ridículo eu fui. Idiota o suficiente para olhar o espelho feliz por ter cabelos como os de homens brancos. Eu jurei para mim mesmo que jamais teria cabelo crespo novamente, e por muitos anos não tive. Esse foi meu primeiro grande passo para a auto-degradação. Sob forte dor e com o couro cabeludo literalmente queimado pelo produto alisador, eu aderi àquela multidão de negros que sofrem lavagem-cerebral, acreditam que são inferiores, e que violam seus corpos criados por Deus tentando parecer bonitos segundo os padrões brancos"
 Malcom X 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

 Deus existia de início, tudo era mais intenso e próximo de mim, eu era a matriarca do mundo, podia distorcer e pegar nas coisas inalcançáveis com uma simplicidade absurda, numa sequência circular de desfazer, fazer e refazer as coisas. Houve uma sincronicidade com o universo e com os meus dois amigos presentes- companheiros de loucura- inacreditavelmente intensa e irreal, os três elementos, eu o mundo e meus amigos sentimos ao mesmo tempo, paramos no tempo ao mesmo tempo- que ironia. O tempo não nos era mais palpável como nos é normalmente, só quando perdi a noção do tempo que percebi o quanto nós o torturamos e fazemos dele uma simples contagem progressiva da vida. Eu era brinquedo nas mãos dele, brincou com a minha sanidade e jogou toda raiva que ele tinha dos humanos em mim, me oprimiu como um autoritário tirano, me atirou no espaço sem sua presença, sumia e quando voltava me massacrava com sua incerteza.
 Deus existia e o diabo também. Dois grilhões envoltos em minha cabeça, um puxando para o lado do esquerdo e o outro pro lado direito, me anulavam, mas minha mente se manteve inerte, forte e firme, só naquele momento senti a fortaleza que de mim emanava.
 No meio da coisa o desespero tomou conta e alastrou sua chama, tentei com todas as forças sair da psicose surreal em que me encontrava, uma máquina tomou conta do meu corpo e junto com o tempo me enganavam, falavam e viviam por mim uma vida a parte, fora daqui. Tive medo de não recuperar a centralidade, me desprendia de mim mesma e quando voltava, nos poucos segundos que conseguia me sustentar na minha alma, travava com todas as forças uma luta com a realidade para me convencer dela. No fim o único medo era de aquilo durar o resto da vida, se bem que toda aquela loucura durou milênios, eu nem sei quanto tempo eu perdi, quanto tempo eu vivi, quanto tempo eu senti de fato. Literalmente sai do meu corpo e me perdi num vácuo de ideia e percepção alucinantes.
 Já se passaram algumas tantas horas de todo o ocorrido e ela, a loucura, ainda chama meu nome, eu me agarro forte à realidade pra ela não fugir de novo. E tudo começa a voltar ao normal, eu um ser humano preso e dependente de realidade, mesquinho e regrado em suas ações, incrédulo e afetado pelas certezas do mundo.

domingo, 4 de maio de 2014

Não falarei de mim em terceira pessoa como tem feito os poetas e escritores desde o princípio. Darei a mim o direito de cometer o grande erro no processo de produção de uma proza, crônica, poesia ou o que seja, o de não cometer erros.
Falarei de mim diretamente para mim, não desejo alcançar corações, serei de todo ególatra e individualista mesmo, com o quê sartriano de que necessitamos certas vezes. Quero única e exclusivamente apurar-me e tentar discernir o que conversando eu não consigo, com a mania do poeta me disporei a tal. Escrevendo é que me entendo.
 Como tem sido difícil o convívio comigo mesma nos últimos tempos. Ainda há pouco disseram-me não reconhecer o que habita meu ser como antes se conhecia, de certo que fora um antigo amor que em repúdio ao meu novo eu não consegue entender as mudanças que em mim ocorreram desde de que de súbito minha alma careceu de mutações para continuar viva.
Antes mesmo disto ocorrer, uma grande amiga vomitou em mim também a mesma aflição "Não reconheço mais o que você se tornou", disse-me antes de dizer adeus. Virou as costas, jorrou lágrimas de julgo em mim e me fez sentir o pior do seres. Perdi dois amores e dos melhores, apesar dos pesares. E apesar de me mostrar, de início, totalmente cética e criteriosa a triste e rancorosa observação dos dois, reconheço o que lhes causa aflição em relação a mim. Fui me perdendo de mim mesma, como aqui há anos tenho reclamado, admito que necessito de mais foco na vida, mais maestria pra lidar com as adversidades e com as diversidades, tenho me tornado ampla demais, complexa demais, tudo isso seria antropologicamente maravilhoso, uma vez que consegui absorver o todo admitindo sua diversidade, mas pra isso necessita-se de um centro de equilíbrio, o que talvez eu não tenha alcançado ainda.
Mas ainda cogito a ideia de que talvez, eu esteja certa e que não deva me importar tanto com o que me vem de fora, mesmo que seja de pessoas que tanto me amam. Talvez eu precise, hoje mais que nunca, ser de dentro pra fora, olhar de dentro pra fora, ao menos no que concerne minha personalidade. Necessito força!

domingo, 20 de abril de 2014

   Numa última conversa, de um dia nublado com uma grande amiga, nessas tais conversas as quais saímos mais crentes de algo e menos certos desse algo,dei-me conta de um paradigma que me foi estabelecido desde o dia que resolvi fugir da engrenagem louca que é a vida e seus sistemas de lógica, objetividades torpes e horror. Fujo com todas as forças de conceitos, modos de crença, de vida e padrões pré e imperativamente estabelecidos desde a mais remota existência humana, existência até do ser, e da alma das pessoas. A minha alma.
   Num processo de mudança interna, de desestruturação de preceitos e preconceitos, de desconstrução de ideologias repassadas apenas pela não crítica do senso comum, me vejo no centro, no ponto aflito de divergência entre dois mundos totalmente diferentes, que talvez nem o sejam assim tão distantes e separados, mas com o fato de estar no centro o desespero nada mais importa, nenhuma consideração ou lógica parece ser capaz de libertar pra uma vivência mais sã do novo mundo. Me encontro em extrema aflição, dessas que desatinam sem pedir licença ou avisar que está chegando. O velho mundo é racional, mais fixo, sem muitas mutações, sem grandes pensamentos ou processos de conhecimento, o que me davam era de grande valia, nada era gerado, até hoje sinto as consequências dessas extirpação do autoconhecimento e do conhecimento de tudo. Mas algo na racionalidade aguda do velho mundo me fazia mais forte no sentido de que me ensinaram desde pequena a não por confiança no homem, a não depender do subjetivo do outro pra conseguir alcançar o mais profundo do meu. O resultado da ruptura brusca entre os dois mundos, foi que perdi minha subjetividade, meu centro, eixo ou o que quer que isso seja. E de repente minha alma estranha esse corpo e mente que habita, a casa é nova, cheia de novos caminhos, novas descobertas, novos objetivos e sonhos, mas algo foi perdido no processo, acho que foi a alma. A alma desprendeu-se do ser, mas como se alma é ser e o ser é a alma?
  Sincronizar mente e alma, ser e pensar. Ser e estar de alma e mente em algum lugar. Há de ser uma luta a se travar!

terça-feira, 1 de abril de 2014

Se quiser me esquecer, vai ter que parar de ler o que eu escrevo. Se quiser que eu sinta raiva de você, vai ter que parar de tentar fazer com que eu sinta raiva de você.

quarta-feira, 26 de março de 2014

" É isso aí, você não pode parar
Esperar o tempo ruim vir te abraçar
Acreditar que sonhar sempre é preciso
É o que mantém os irmãos vivos "
 
 
 

Na ilusão infantil de acreditar nas promessas da vida, em seus consolos momentâneos, me lancei na ilusão da felicidade pura, sem manchas de tristeza, uma felicidade descompromissada, não ciente de que enquanto se é feliz a outrem cabe a tristeza. Me entreguei a felicidades análogas as de mesa de bar, de rodas de amigos, de abraços apertados, de aconchegos de mãe, de afagos de irmãos. Me iludiram com suas artimanhas sutis e encantadoras, senti o gozo de alívio eterno que mal cabem em segundos de existência, mas o mel tem gosto de fel. A alegria precede a tristeza, tal como uma criança que se convence de que haverá uma recompensa se se agir de certa forma, mas ao chegar o esperado momento percebe que era só uma promessa pra sufocar seus instintos de criança. Me mostro pessimista , porque a tristeza chegou.

terça-feira, 11 de março de 2014

" Convém ser rico em oposições, pois só a esse preço se é fecundo; para conservar-se jovem é preciso que a alma não descanse que a alma não peça paz " 

Nietzsche

sexta-feira, 7 de março de 2014

"A pratica da Igreja é nociva à vida" Nietzsche

Depois de longas horas trancafiada em um templo, minha mãe chega em casa liga a TV e vai diretamente a um desses canais religiosos, que exalam uma fé contida e retraída, mas que devora seus fieis, aprisiona seus credores. O momento televisionado é de um Deus exposto num suporte de ouro, para sua demonstração de superioridade e grandeza. Superioridade essa que sufoca as humildes manifestações de  paixão que qualquer um dos fieis que assistem ao programa venham a sentir, para que seja essa paixão suplantada e que surja a partir daí certa passividade e cordialidade em aceitar o sofrimento.
A voz que ministra o momento de adoração ao suporte de ouro com o Deus, afirma que a vida não é festa, que o carnaval passou, e que há de se ter cuidado com a felicidade, com a alegria, com a vontade de vida.
Malditos malfeitores, enclausuram minha pobre mãe numa redoma de dor e cólera, para que com a paciência divina advinda dos céus ela aceite mansamente sua morte pra vida.
Uma vez em súbito de incomodo e aflição ao vê-la dias e noites ajoelhada diante de uma imagem a clamar em prantos que Deus a ouvisse, perguntei o motivo de tanta lamentação, eu que voltava de um ótimo lazer com amigos, daqueles que revigoram a alma e nos aperfeiçoam pra vida, me senti impotente e incompleta ao ver que minha alegria sedia espaço pro seu sofrimento. Respondeu que clamava por mim, pelos meus irmãos, pelo mundo.. Lhe pergunto agora Deus, porque fazer isso com uma alma tão pequena? Jogar sobre a ela um fardo tão grande de chegar ao ponto de achar que sozinha pode rezar e chorar pelo mundo inteiro, impedido-a de viver a vida própria. Não bastasse todo esse fardo, desde pequena o que lhe fora ensinado nos templos a viver o hoje para edificar um lugar ao céu, num dito Reino dos Céus, ensinaram-lhe a negar sua única dádiva, a vida, em prol de uma ilusão inventada.


(continua)

quinta-feira, 6 de março de 2014

Eduardo Coutinho, obrigada pelo legado de ótimos documentários.. Por colocar nas telonas gente que nem eu, gente de verdade, histórias com verdade... Obrigada por ouvir.

 " Porque tem gente que passa o dia inteiro na rua e não olha pro céu"

Respirando Clarice...

(...) E então você não quis mais nada disso. E parou com a possibilidade de dor, o
que nunca se faz impunemente. Apenas parou e nada encontrou além disso. Eu não digo
que eu tenha muito, mas tenho ainda a procura intensa e uma esperança violenta. Não
esta sua voz baixa e doce. E eu não choro, se for preciso um dia eu grito, Lóri. Estou em
plena luta e muito mais perto do que se chama de pobre vitória humana do que você, mas
é vitória. Eu já poderia ter você com o meu
corpo e minha alma. Esperarei nem que sejam
anos que você também tenha corpo-alma para amar. Nós ainda somos moços, podemos
perder algum tempo sem perder a vida inteira.
Mas olhe para todos ao seu redor e veja o
que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado,
acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos
passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro.
Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído
catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos,
tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria
o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do
primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes
sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar
a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a
palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e
de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar

nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos
disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia
disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso
nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado
uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a
tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós
mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não
ficarmos perplexos antes de apagar a luz.
Temos sorrido em público do que não
sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura.
Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa
de cada dia (...)

terça-feira, 4 de março de 2014

Agora lúcida e calma, Lóri lembrou-se de que lera que os movimentos histéricos

de um animal preso tinham como intenção libertar, por meio de um desses movimentos, a

coisa ignorada que o estava prendendo — a ignorância do movimento único, exato e

libertador era o que tornava um animal histérico: ele apelava para o descontrole —

durante o sábio descontrole de Lóri ela tivera para si mesma agora as vantagens

libertadoras vindas de sua vida mais primitiva e animal: apelara histericamente para

tantos sentimentos contraditórios e violentos que o sentimento libertador terminara

desprendendo-a da rede, na sua ignorância animal ela não sabia sequer como, estava

cansada do esforço de animal libertado.

Clarice Lispector- Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

 "Mergulha em outras águas, mas no mesmo rio"
Eu não devia ter medo de ficar sozinha, porque o mundo nunca vai estar presente na hora do desespero, da opressão, do martírio, ele vai ta do lado oposto. Não devia sentir falta de um amor, de você. Você nunca me será completo, e eu nunca serei pra você. Eu gosto de ti, mas aí eu lembro que você não gosta mais do que eu sou, e o que eu sou agora é o início de um turbilhão, que você, por compactuar com o mundo reprime e condena. Sinto sua falta, mas vou te esquecer, por enquanto mergulho em outras águas, com a lembrança de que você existe ainda em mim, o que te faz o meu rio, o que eu criei e mergulho meus vindouros outros amores . O mundo já me pesa demais, pra ter que aguentar o mesmo de você.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Saia da zona de corforto que te privilegia!

http://www.cartacapital.com.br/blogs/outras-palavras/consciencia-negra-para-feministas-brancas-7583.html