sábado, 31 de dezembro de 2016


Fim de noite, 13 de janeiro de 2015

O vaga-lume-estrela

Contemplava a beleza noturna do céu estrelado sem lua e boquiaberta com tamanha vastidão de luzes humildes e pequenas enfeitando o céu me emocionei e minutos depois me acometeu uma tristeza miúda, mas ferrenha. Eu parecia querer mais e talvez fosse a minha impossibilidade humana que me entristeceu subitamente. Meu destino, na minha resignação, era o de somente contemplar o céu longe de mim, nunca próximo, nunca minimamente próximo. Foi então que o vaga-lume-estrela surgiu, coincidência ou não, minutos depois de eu avistar uma estrela cadente passeando pelo céu.

Pousou em meu peito-coração e eu me assustei pensando ser outra coisa, e por isso depois de me dar um pouquinho de sua luz singela saiu voando em desespero. Queria ter estado mais tempo com o vaga-lume-estrela, senti raiva de mim mesma por tê-lo espantado. Mas fui feliz naqueles poucos segundos em que uma estrela esteve comigo e em que pude ser além.

Sabendo que ainda poderia vê-lo, fiquei em vigília observando o negro da noite para ver se ele aparecia novamente, para poder pedir desculpas pelo alvoroço do nosso encontro. Apareceu. Não consegui pedir as desculpas porque fiquei muda. Brilhando, enquanto voava, luzinha que acendia e apagava, ascendia e apagava, ascendia e apagava. Voou e foi pro céu. Voou segundos eternos de paz.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

traz consigo
terras vastas
céu aberto
chuviscando emoção
ao admirar
esse ser e estar atento
e fragilizado
da saudade que dá
esse ir e vir do encontro