Fim de noite, 13 de janeiro de 2015
O vaga-lume-estrela
Contemplava a beleza
noturna do céu estrelado sem lua e boquiaberta com tamanha vastidão de luzes
humildes e pequenas enfeitando o céu me emocionei e minutos depois me acometeu
uma tristeza miúda, mas ferrenha. Eu parecia querer mais e talvez fosse a minha
impossibilidade humana que me entristeceu subitamente. Meu destino, na minha
resignação, era o de somente contemplar o céu longe de mim, nunca próximo,
nunca minimamente próximo. Foi então que o vaga-lume-estrela surgiu,
coincidência ou não, minutos depois de eu avistar uma estrela cadente passeando
pelo céu.
Pousou em meu peito-coração
e eu me assustei pensando ser outra coisa, e por isso depois de me dar um
pouquinho de sua luz singela saiu voando em desespero. Queria ter estado mais
tempo com o vaga-lume-estrela, senti raiva de mim mesma por tê-lo espantado.
Mas fui feliz naqueles poucos segundos em que uma estrela esteve comigo e em
que pude ser além.
Sabendo que ainda poderia
vê-lo, fiquei em vigília observando o negro da noite para ver se ele aparecia
novamente, para poder pedir desculpas pelo alvoroço do nosso encontro.
Apareceu. Não consegui pedir as desculpas porque fiquei muda. Brilhando, enquanto
voava, luzinha que acendia e apagava, ascendia e apagava, ascendia e apagava.
Voou e foi pro céu. Voou segundos eternos de paz.
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