Deus existia de início, tudo era mais intenso e próximo de mim, eu era a matriarca do mundo, podia distorcer e pegar nas coisas inalcançáveis com uma simplicidade absurda, numa sequência circular de desfazer, fazer e refazer as coisas. Houve uma sincronicidade com o universo e com os meus dois amigos presentes- companheiros de loucura- inacreditavelmente intensa e irreal, os três elementos, eu o mundo e meus amigos sentimos ao mesmo tempo, paramos no tempo ao mesmo tempo- que ironia. O tempo não nos era mais palpável como nos é normalmente, só quando perdi a noção do tempo que percebi o quanto nós o torturamos e fazemos dele uma simples contagem progressiva da vida. Eu era brinquedo nas mãos dele, brincou com a minha sanidade e jogou toda raiva que ele tinha dos humanos em mim, me oprimiu como um autoritário tirano, me atirou no espaço sem sua presença, sumia e quando voltava me massacrava com sua incerteza.
Deus existia e o diabo também. Dois grilhões envoltos em minha cabeça, um puxando para o lado do esquerdo e o outro pro lado direito, me anulavam, mas minha mente se manteve inerte, forte e firme, só naquele momento senti a fortaleza que de mim emanava.
No meio da coisa o desespero tomou conta e alastrou sua chama, tentei com todas as forças sair da psicose surreal em que me encontrava, uma máquina tomou conta do meu corpo e junto com o tempo me enganavam, falavam e viviam por mim uma vida a parte, fora daqui. Tive medo de não recuperar a centralidade, me desprendia de mim mesma e quando voltava, nos poucos segundos que conseguia me sustentar na minha alma, travava com todas as forças uma luta com a realidade para me convencer dela. No fim o único medo era de aquilo durar o resto da vida, se bem que toda aquela loucura durou milênios, eu nem sei quanto tempo eu perdi, quanto tempo eu vivi, quanto tempo eu senti de fato. Literalmente sai do meu corpo e me perdi num vácuo de ideia e percepção alucinantes.
Já se passaram algumas tantas horas de todo o ocorrido e ela, a loucura, ainda chama meu nome, eu me agarro forte à realidade pra ela não fugir de novo. E tudo começa a voltar ao normal, eu um ser humano preso e dependente de realidade, mesquinho e regrado em suas ações, incrédulo e afetado pelas certezas do mundo.
... Escreverei sobre o não dito, sem me importar com o suspiro do ultraje do censor e da audiência. Finalmente, escrevo porque tenho medo de escrever, mas tenho um medo maior de não escrever ... Glória Anzaldúa
sexta-feira, 9 de maio de 2014
domingo, 4 de maio de 2014
Não falarei de mim em terceira pessoa como tem feito os poetas e escritores desde o princípio. Darei a mim o direito de cometer o grande erro no processo de produção de uma proza, crônica, poesia ou o que seja, o de não cometer erros.
Falarei de mim diretamente para mim, não desejo alcançar corações, serei de todo ególatra e individualista mesmo, com o quê sartriano de que necessitamos certas vezes. Quero única e exclusivamente apurar-me e tentar discernir o que conversando eu não consigo, com a mania do poeta me disporei a tal. Escrevendo é que me entendo.
Como tem sido difícil o convívio comigo mesma nos últimos tempos. Ainda há pouco disseram-me não reconhecer o que habita meu ser como antes se conhecia, de certo que fora um antigo amor que em repúdio ao meu novo eu não consegue entender as mudanças que em mim ocorreram desde de que de súbito minha alma careceu de mutações para continuar viva.
Antes mesmo disto ocorrer, uma grande amiga vomitou em mim também a mesma aflição "Não reconheço mais o que você se tornou", disse-me antes de dizer adeus. Virou as costas, jorrou lágrimas de julgo em mim e me fez sentir o pior do seres. Perdi dois amores e dos melhores, apesar dos pesares. E apesar de me mostrar, de início, totalmente cética e criteriosa a triste e rancorosa observação dos dois, reconheço o que lhes causa aflição em relação a mim. Fui me perdendo de mim mesma, como aqui há anos tenho reclamado, admito que necessito de mais foco na vida, mais maestria pra lidar com as adversidades e com as diversidades, tenho me tornado ampla demais, complexa demais, tudo isso seria antropologicamente maravilhoso, uma vez que consegui absorver o todo admitindo sua diversidade, mas pra isso necessita-se de um centro de equilíbrio, o que talvez eu não tenha alcançado ainda.
Mas ainda cogito a ideia de que talvez, eu esteja certa e que não deva me importar tanto com o que me vem de fora, mesmo que seja de pessoas que tanto me amam. Talvez eu precise, hoje mais que nunca, ser de dentro pra fora, olhar de dentro pra fora, ao menos no que concerne minha personalidade. Necessito força!
Falarei de mim diretamente para mim, não desejo alcançar corações, serei de todo ególatra e individualista mesmo, com o quê sartriano de que necessitamos certas vezes. Quero única e exclusivamente apurar-me e tentar discernir o que conversando eu não consigo, com a mania do poeta me disporei a tal. Escrevendo é que me entendo.
Como tem sido difícil o convívio comigo mesma nos últimos tempos. Ainda há pouco disseram-me não reconhecer o que habita meu ser como antes se conhecia, de certo que fora um antigo amor que em repúdio ao meu novo eu não consegue entender as mudanças que em mim ocorreram desde de que de súbito minha alma careceu de mutações para continuar viva.
Antes mesmo disto ocorrer, uma grande amiga vomitou em mim também a mesma aflição "Não reconheço mais o que você se tornou", disse-me antes de dizer adeus. Virou as costas, jorrou lágrimas de julgo em mim e me fez sentir o pior do seres. Perdi dois amores e dos melhores, apesar dos pesares. E apesar de me mostrar, de início, totalmente cética e criteriosa a triste e rancorosa observação dos dois, reconheço o que lhes causa aflição em relação a mim. Fui me perdendo de mim mesma, como aqui há anos tenho reclamado, admito que necessito de mais foco na vida, mais maestria pra lidar com as adversidades e com as diversidades, tenho me tornado ampla demais, complexa demais, tudo isso seria antropologicamente maravilhoso, uma vez que consegui absorver o todo admitindo sua diversidade, mas pra isso necessita-se de um centro de equilíbrio, o que talvez eu não tenha alcançado ainda.
Mas ainda cogito a ideia de que talvez, eu esteja certa e que não deva me importar tanto com o que me vem de fora, mesmo que seja de pessoas que tanto me amam. Talvez eu precise, hoje mais que nunca, ser de dentro pra fora, olhar de dentro pra fora, ao menos no que concerne minha personalidade. Necessito força!
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