Poesia é superfície e beleza
e também o horror e o profundo do que somos
Nos apaixonamos pela ficção das pessoas
Pelas projeções do que idealizamos,
do que achamos belo, perfeito, inatingível
por tudo que não somos e não temos
Tudo nela brilha e encanta
Mas há, nela, à luz do dia
ou na surdina,
escondida no escuro do quarto
as dores, o choro, o riso feio e escancarado
a humanidade plena dela
a gente se apaixona por ficções das pessoas
e escolhe muito pouco amar a realidade