sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

"Quem quiser nascer tem que destruir um mundo; destruir no sentido de romper com o passado e as tradições já mortas, de desvincular-se do meio excessivamente cômodo e seguro da infância para a conseqüente dolorosa busca da própria razão do existir: ser é ousar ser." 
Herman Hesse 
"Quem quiser nascer tem que destruir o mundo", uma frase impactante de um livro, uma imagem surrealista, um basta pra vida que a gente decide levar durante anos e uma iniciativa de "quebrar a casca do ovo" que sempre nos protegeu- nos enclausurou.
 A primeira vez que li essa frase, foi na contra capa do livro a que ela pertencia. Peguei-o na biblioteca perto de onde eu trabalhava,uma biblioteca toda pintada de vermelho, pitoresca e bonitinha, parecia uma daquelas casinhas de filmes europeus, alemães mais especificamente (não lembro agora de ter assistido a um filme alemão sequer, mas vale a analogia). Falar em germânicos, o autor do livro é de origem alemã. Herman Hesse, com o "r" bem entonado, a primeira vez que ouvi esse nome, foi com o cantor de uma das minhas bandas prediletas à época. Hernan Hesse, um nome bonito dentre os estranhos nomes de alemães consagrados, Frederich Nietzsche, Karl Marx ... os caras são gênios, mas os nomes deixam a desejar, você pode até me recriminar agora com os dizeres: "Mas como? Ela está falando o nome de deuses em vão. Quanta blasfêmia com os nossos grandes". Foda-se, eu não tenho que achar bonito o nome do cara se eu não acho, são alemães, umas das línguas mais esquisitas fonologicamente que existem, na boa, parem de tanto mimimi, eu estudo os caras e o que os consagram são suas ideias, suas formas de revolucionarem o mundo, pouco importa o nome, onde nasceram e bla bla bla... (Só pra constar, sou marxista, por mais que não me agrade o nome).
 Estava em Herman Hesse, em como soa bonito o nome dele. Até onde eu pesquisei, ele é adepto do Existencialismo de Nietzsche,  vontade de potência pura. E seus livros não fogem a essa regra, Demien, a obra a que pertence a frase do início da conversa, foi o primeiro e último livro do autor que pude ler. Ta, eu não tenho tanta autoridade pra falar do autor, mas li sua obra mais primorosa, depois de O lobo da Estepe, que é uma complementação do Demien na verdade.
" A ave sai do ovo, o ovo é o mundo. Quem quiser nascer tem que destruir o mundo", essa é uma daquelas frases que a gente toma pra vida, principalmente se a vida for igual a vida de Sinclair, o protagonista do livro. A frase sai de Demien, o demônio/ anjo. Sinclair foi criado sobre o manto da religião, numa redoma de alienação e aprisionamento de suas vontades e extintos, retraído e reprimido não soube, até encontrar Demien, o que era sentir-se livre, pertencente a si mesmo. 
 Permiti a vida inteira que me enclausurassem, que me trancafiassem num mundo que eu não merecia viver, eu acreditei nesse mundo com todas as minhas forças, permiti que ele me doasse sentimentos benévolos. Esse mundo me enganou a vida inteira, abri os olhos e vi que o mundo além da casca é uma desgraça e uma benção, uma cólera e uma alegria e que eu não sei viver nele. Fui impedida de aprender.