domingo, 28 de abril de 2013

Quintanando ...


Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

terça-feira, 23 de abril de 2013

Mulher Negra ...


Enquanto o couro do chicote cortava a carne, 
A dor metabolizada fortificava o caráter; 
A colônia produziu muito mais que cativos, 
Fez heroínas que pra não gerar escravos matavam os filhos; 
Não fomos vencidas pela anulação social, 
Sobrevivemos à ausência na novela, no comercial; 
O sistema pode até me transformar em empregada, 
Mas não pode me fazer raciocinar como criada; 
Enquanto mulheres convencionais lutam contra o machismo, 
As negras duelam pra vencer o machismo, 
O preconceito, o racismo; 
Lutam pra reverter o processo de aniquilação 
Que encarcera afros descendentes em cubículos na prisão; 
Não existe lei maria da penha que nos proteja, 
Da violência de nos submeter aos cargos de limpeza; 
De ler nos banheiros das faculdades hitleristas, 
Fora macacos cotistas; 
Pelo processo branqueador não sou a beleza padrão, 
Mas na lei dos justos sou a personificação da determinação; 
Navios negreiros e apelidos dados pelo escravizador 
Falharam na missão de me dar complexo de inferior; 
Não sou a subalterna que o senhorio crê que construiu, 
Meu lugar não é nos calvários do brasil; 
Se um dia eu tiver que me alistar no tráfico do morro, 
É porque a lei áurea não passa de um texto morto;

Não precisa se esconder segurança, 
Sei que cê tá me seguindo, pela minha feição, minha trança; 
Sei que no seu curso de protetor de dono praia, 
Ensinaram que as negras saem do mercado 
Com produtos em baixo da saia; 
Não quero um pote de manteiga ou um xampu, 
Quero frear o maquinário que me dá rodo e uru; 
Fazer o meu povo entender que é inadmissível, 
Se contentar com as bolsas estudantis do péssimo ensino; 
Cansei de ver a minha gente nas estatísticas, 
Das mães solteiras, detentas, diaristas. 
O aço das novas correntes não aprisiona minha mente, 
Não me compra e não me faz mostrar os dentes; 
Mulher negra não se acostume com termo depreciativo, 
Não é melhor ter cabelo liso, nariz fino; 
Nossos traços faciais são como letras de um documento, 
Que mantém vivo o maior crime de todos os tempos; 
Fique de pé pelos que no mar foram jogados, 
Pelos corpos que nos pelourinhos foram descarnados. 
Não deixe que te façam pensar que o nosso papel na pátria 
É atrair gringo turista interpretando mulata; 
Podem pagar menos pelos os mesmos serviços, 
Atacar nossas religiões, acusar de feitiços; 
Menosprezar a nossa contribuição na cultura brasileira, 
Mas não podem arrancar o orgulho de nossa pele negra;

Mulheres negras são como mantas kevlar, 
Preparadas pela vida para suportar; 
O racismo, os tiros, o eurocentrismo, 
Abalam mais não deixam nossos neurônios cativos

sábado, 13 de abril de 2013

Treinando Redação ...


(Então, mais um ano de vestibular pra mim, infelizmente! Tenho que treinar redações, e é uma ótima ideia publicá-las aqui, afinal, é um espaço meu, quase um diário. Quem estiver lendo, independente de me conhecer ou não, atribui uma nota (de 1 a 10), é super importante pra mim e uma ótima maneira de ajudarem. Não tenham medo de contradizer, de achar ruim, péssimo, de apontar os grotescos erros gramaticais. Ajudem-me, por favor?Se eu passar no vestiba, juro que vou ser muito feliz :D ) 

2° Vestibular de 2009, Universidade de Brasília
Elabore um texto constituído de duas partes. Na primeira parte, narre, de forma sucinta, a história de um filme que tenha contribuído para o desenvolvimento de sua
consciência crítica acerca das relações afetivas ou sociais; na segunda, explicite por que você considerou relevante esse filme.


O Grande Ditador
    O Grande Ditador é uma produção de Charles Chaplin, grande cineasta e ator britânico da década de 40. O filme faz uma sátira ao regime nazista, no período da Segunda Grande Guerra, onde Hynkel-  analogia explícita  a Hitler, líder no totalitarismo alemão- é um ser autoritário e tirano, que impera suas formas atrozes de governo, transformando uma nação em milhares de cabeças alienadas. No outro lado  da história, aparece o simples barbeiro judeu, atrapalhado e divertido, que após voltar dos campos de batalha, auspicia voltar a praticar seu ofício. Ambos os personagens são interpretados pelo mesmo ator, Charles Chaplin, o que atribui uma peculiaridade genial ao desfecho do filme.
    Com a semelhança dos personagens, na ultima parte do filme o simplório barbeiro judeu, que em toda a trama tenta fugir de militares que intentam prendê-lo, em sua ultima fuga é confundido com o imperador Hynkel, e levado a um palanque para discursar  a uma multidão, que espera efusivamente pelo discurso. O barbeiro judeu, que faz parte de minoria de alvejados e procurados para morte, manda seu recado simples e pacífico a toda multidão que o assiste, recado esse que fundamenta a paz em meio a todo horror existente na época, decretando  em suas palavras de maneira simples, a paz, o respeito e amor ao próximo, independente da cor, etnia, religião ou crença.
  Na elaboração dessa história é explicita intenção do autor, porém perspicaz a semelhança que mostra igualdade e ao mesmo tempo diferença, diferença na maneira humana, nos idéias, nas intenções dos personagens. Essa ambiguidade, de certa forma um maniqueísmo quase cristão, atribuiu a maneira que possuo de enxergar o mundo, a maneira bucólica e digna do barbeiro judeu viver e mostrar-se  oposto a guerra, as atrocidades humanas, com uma mensagem simples de amor e respeito mútuo em meio ao terror das relações humanas.
   Claramente, vê-se que a mensagem do filme, que fora feito  no contexto exato da Grande Guerra, reverbera até os dias de hoje. Acredito que bem mais que satirizar a então realidade que cercava o mundo entre os anos 1939 e 1945, o filme traduz uma mensagem geral e complexa que deve-se aplicar a qualquer contexto histórico, nação, qualquer relação e principalmente à esperança de um mundo melhor. 

 Sem dúvidas, um dos melhores filmes que já assisti. 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Mil faces de um homem leal ... Marighella



Foi aprendendo a ler

Olhando mundo à volta
E prestando atenção
No que não estava a vista
Assim nasce um comunista ... 
Vida sem utopia, não entendo que exista 

terça-feira, 9 de abril de 2013

...


LENTE DE CONTATO

Será que você pode olhar no fundo dos meus olhos?
Será que você pode acreditar na sua visão?
Esquece o que o seu pai disse!
Vê se muda essa situação.

Sou negra.
Estou aqui diante dos seus olhos
Esperando você despir o seu preconceito,
Pra gente encontrar um jeito de ser feliz.

Ah, o meu cabelo natural, isento de culpa,
Vai bem obrigada.

Que bom você ter sido espetado pela consciência.
Que bom você ter sido cutucado pela consistência.
Será que dá pra você tirar essa lente distorcida
Que tanto atrapalha o nosso contato?

Cristiane Sobral