terça-feira, 12 de maio de 2020

Noite. Fim de um dia chuvoso. Minha avó diz que o a chuva traz consigo, saudade de quem tá longe. Por forças de uma pandemia mundial estou sem conseguir voltar pra casa.
Passei o dia das mães longe de minha mãe. Passarei o dia do aniversário de meu pai longe dele.
E, hoje, meu acordar me confundiu e me levou pra casa. Bem naquele momento limiar entre o sono e a realidade, aquele primeiro acordar lento em que a realidade parece ter um pouco de compaixão e vai se estabelecendo com serenidade e calma, eu senti-ouvi-pensei estar em casa. E estive.
No sonido da chuva - aquela que traz consigo, saudade de quem tá longe - ouvi as risadas de minha mãe, suas brigas com as nossas gatas que mijam nos tapetes, as conversas entre ela, meu pai e meus irmãos.
Uma ilusão que trouxe afago me despertou pro dia. Um dia depois do dia das mães, que eu passei longe dela. Nesse contexto, muito de mim tem sido dor e preocupação com os meus, principalmente com minha mãe. Tenho sido mais gentil comigo mesma em reconhecer e acolher o medo incomensurável que tenho de perdê-la.