domingo, 22 de junho de 2014

,eu não quero ser o que ela é, só quero ter o mesmo brilho que ela tem nos olhos quando consegue ser.

terça-feira, 17 de junho de 2014

"E foi tão corpo que foi puro espírito"

Pensei em não escrever você, em não te edificar através da minha poesia no meu coração. Não posso deixar que isso aconteça com o ser que habita sua alma. Diante disso, estou aqui tentando te escrever no meu coração e na minha história. Não posso deixar sua imagem fugir da memória, nem o seu toque da minha sensação.
Não te conheci a ponto de saber quem, no intrínseco, você é, mas tenho em mim a impressão dos seus olhos e do seu sorriso, as poucas minúcias do seu jeito que eu pude decorar e sentir, os gestos e carinhos que de recíprocos nos firmava numa simbiose com desejo e ardência, um pela alma do outro. Era corpo e alma sim! Não sou desses humanos que não se entregam e que se resguardam quando decidem decolar pro alçar de voo ser mais tranquilo. Minha alma não se contenta com o pouco, quer em intensidade e subjetividade o demasiado, o incontrolável, o proibido, a adrenalina, a calma, a leveza, o prazer, a dor, tudo que me mantenha um pouco viva, um pouco em carne, osso e essência...Algo em você me atava sem chance de me rebelar em clemência por liberdade, era prisão que de tão inconsciente e em estado permanente de gozo, se fazia liberdade completa. Éramos negros de alma e corpo, perfeição existia quando mente e corpo de ambos se unia, coadunados pela ancestralidade, pelo misticismo e pelo querer saber sobre o mundo numa perspectiva étnica e cultural do outro, despertou minha antropologia, minha eco visão do mundo, minha sede de diversidade e harmonia com essa junção de relações interminavelmente FANTÁSTICA que é a natureza...Foi tão intenso e ligeiro, com fugacidade bruta que se fez fogo ardente, inflamável, mas passageiro... Seu legado ficou no meu corpo, não quero e não posso mais alma com alma.. Acho que nunca quis. É só que fugia de mim o controle da minha alma, quando seu corpo tocava o meu.

sábado, 14 de junho de 2014

Cabelo submerso, desafia leis da gravidade
nasce e cresce que nem árvore
Floresce, floreia, tem vida própria
Mas conjunta com o subjetivo de quem o possui
Possuidor esse que quebra padrões
Que mesmo sendo imposto um modelo de cabelo ideal
Consegue se libertar das amarras
E deixar florescer o cabelo poder...
Sem opressão, sem a maldita internalização da repressão
Conseguimos nos libertar
E conosco almejar e vangloriar
O cabelo força
Cabelo que ocupa espaços inatingíveis
Que engrandesce
Que busca os céus
Que não sabe se rebaixar
Só sabe se enaltecer
Se atirar
Cabelo ruim?
Lhe ofereço meus risos, senhor.
Quero é ver tu me mostrar
O que esse seu cabelo tem a mostrar...
" Te olho sem jeito, me abraça meu filho
Não sei se eu tentei tanto quanto eu podia
Se hoje teus olhos vislumbram com medo
Você já não vê e eu juro que havia
Te afago o cabelo, me abraça meu filho
Perdoa essa minha agonia
Se deixo você no absurdo planeta
Sem pique-bandeira e pelada vadia
Fujo do teu olho, me abraça meu filho "

"Só lhe dou um conselho, minha filha, pra tudo que for fazer ter sabedoria, saber onde tu tá pisando. O mundo é injusto, eu sei disso, eu entendo sua luta, só toma cuidado minha filha" .. Foi esse o conselho de uma mãe que se desesperou ao ver a filha com o rosto coberto numa manifestação da universidade em que estuda. Ela bem sabe dos auspícios da filha, da ideologia que segue, das virtudes que alimentam sua alma, da mudança radical de mundo que procura, da "utopia" para a qual caminha sem cessar ("Mudar o mundo meu amigo Sancho, não é utopia, é justiça")... Não é rebeldia, não são os hormônios da juventude, não é por puro prazer pelo conflito. É conflito pela existência de injustiça, desigualdade, repressão e opressão que ela mesmo sofreu a vida inteira. A mídia e o estado  tentaram moldá-la, estruturá-la dentro da lógica sistêmica de alienação e consenso gerados e impostos para obedecer e aceitar, mas nas minhas lágrimas, talvez, ela conseguiu enxergar a verdade, um pouco da realidade do mundo.Minha vitória ultima de cada dia foi essa, sentir o abraço dela em apoio e posse da causa que ela me ofertou. Me deixa no absurdo planeta que eu vou tentar sobreviver, só não me deixa sem o abraço quando eu voltar!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

"Que ridículo eu fui. Idiota o suficiente para olhar o espelho feliz por ter cabelos como os de homens brancos. Eu jurei para mim mesmo que jamais teria cabelo crespo novamente, e por muitos anos não tive. Esse foi meu primeiro grande passo para a auto-degradação. Sob forte dor e com o couro cabeludo literalmente queimado pelo produto alisador, eu aderi àquela multidão de negros que sofrem lavagem-cerebral, acreditam que são inferiores, e que violam seus corpos criados por Deus tentando parecer bonitos segundo os padrões brancos"
 Malcom X