terça-feira, 17 de junho de 2014

"E foi tão corpo que foi puro espírito"

Pensei em não escrever você, em não te edificar através da minha poesia no meu coração. Não posso deixar que isso aconteça com o ser que habita sua alma. Diante disso, estou aqui tentando te escrever no meu coração e na minha história. Não posso deixar sua imagem fugir da memória, nem o seu toque da minha sensação.
Não te conheci a ponto de saber quem, no intrínseco, você é, mas tenho em mim a impressão dos seus olhos e do seu sorriso, as poucas minúcias do seu jeito que eu pude decorar e sentir, os gestos e carinhos que de recíprocos nos firmava numa simbiose com desejo e ardência, um pela alma do outro. Era corpo e alma sim! Não sou desses humanos que não se entregam e que se resguardam quando decidem decolar pro alçar de voo ser mais tranquilo. Minha alma não se contenta com o pouco, quer em intensidade e subjetividade o demasiado, o incontrolável, o proibido, a adrenalina, a calma, a leveza, o prazer, a dor, tudo que me mantenha um pouco viva, um pouco em carne, osso e essência...Algo em você me atava sem chance de me rebelar em clemência por liberdade, era prisão que de tão inconsciente e em estado permanente de gozo, se fazia liberdade completa. Éramos negros de alma e corpo, perfeição existia quando mente e corpo de ambos se unia, coadunados pela ancestralidade, pelo misticismo e pelo querer saber sobre o mundo numa perspectiva étnica e cultural do outro, despertou minha antropologia, minha eco visão do mundo, minha sede de diversidade e harmonia com essa junção de relações interminavelmente FANTÁSTICA que é a natureza...Foi tão intenso e ligeiro, com fugacidade bruta que se fez fogo ardente, inflamável, mas passageiro... Seu legado ficou no meu corpo, não quero e não posso mais alma com alma.. Acho que nunca quis. É só que fugia de mim o controle da minha alma, quando seu corpo tocava o meu.

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