Pensei em não escrever você, em não te edificar através da minha poesia no meu coração. Não posso deixar que isso aconteça com o ser que habita sua alma. Diante disso, estou aqui tentando te escrever no meu coração e na minha história. Não posso deixar sua imagem fugir da memória, nem o seu toque da minha sensação.
Não te conheci a ponto de saber quem, no intrínseco, você é, mas tenho em mim a impressão dos seus olhos e do seu sorriso, as poucas minúcias do seu jeito que eu pude decorar e sentir, os gestos e carinhos que de recíprocos nos firmava numa simbiose com desejo e ardência, um pela alma do outro. Era corpo e alma sim! Não sou desses humanos que não se entregam e que se resguardam quando decidem decolar pro alçar de voo ser mais tranquilo. Minha alma não se contenta com o pouco, quer em intensidade e subjetividade o demasiado, o incontrolável, o proibido, a adrenalina, a calma, a leveza, o prazer, a dor, tudo que me mantenha um pouco viva, um pouco em carne, osso e essência...Algo em você me atava sem chance de me rebelar em clemência por liberdade, era prisão que de tão inconsciente e em estado permanente de gozo, se fazia liberdade completa. Éramos negros de alma e corpo, perfeição existia quando mente e corpo de ambos se unia, coadunados pela ancestralidade, pelo misticismo e pelo querer saber sobre o mundo numa perspectiva étnica e cultural do outro, despertou minha antropologia, minha eco visão do mundo, minha sede de diversidade e harmonia com essa junção de relações interminavelmente FANTÁSTICA que é a natureza...Foi tão intenso e ligeiro, com fugacidade bruta que se fez fogo ardente, inflamável, mas passageiro... Seu legado ficou no meu corpo, não quero e não posso mais alma com alma.. Acho que nunca quis. É só que fugia de mim o controle da minha alma, quando seu corpo tocava o meu.
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