sábado, 14 de junho de 2014

" Te olho sem jeito, me abraça meu filho
Não sei se eu tentei tanto quanto eu podia
Se hoje teus olhos vislumbram com medo
Você já não vê e eu juro que havia
Te afago o cabelo, me abraça meu filho
Perdoa essa minha agonia
Se deixo você no absurdo planeta
Sem pique-bandeira e pelada vadia
Fujo do teu olho, me abraça meu filho "

"Só lhe dou um conselho, minha filha, pra tudo que for fazer ter sabedoria, saber onde tu tá pisando. O mundo é injusto, eu sei disso, eu entendo sua luta, só toma cuidado minha filha" .. Foi esse o conselho de uma mãe que se desesperou ao ver a filha com o rosto coberto numa manifestação da universidade em que estuda. Ela bem sabe dos auspícios da filha, da ideologia que segue, das virtudes que alimentam sua alma, da mudança radical de mundo que procura, da "utopia" para a qual caminha sem cessar ("Mudar o mundo meu amigo Sancho, não é utopia, é justiça")... Não é rebeldia, não são os hormônios da juventude, não é por puro prazer pelo conflito. É conflito pela existência de injustiça, desigualdade, repressão e opressão que ela mesmo sofreu a vida inteira. A mídia e o estado  tentaram moldá-la, estruturá-la dentro da lógica sistêmica de alienação e consenso gerados e impostos para obedecer e aceitar, mas nas minhas lágrimas, talvez, ela conseguiu enxergar a verdade, um pouco da realidade do mundo.Minha vitória ultima de cada dia foi essa, sentir o abraço dela em apoio e posse da causa que ela me ofertou. Me deixa no absurdo planeta que eu vou tentar sobreviver, só não me deixa sem o abraço quando eu voltar!

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