sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

"Quem quiser nascer tem que destruir um mundo; destruir no sentido de romper com o passado e as tradições já mortas, de desvincular-se do meio excessivamente cômodo e seguro da infância para a conseqüente dolorosa busca da própria razão do existir: ser é ousar ser." 
Herman Hesse 
"Quem quiser nascer tem que destruir o mundo", uma frase impactante de um livro, uma imagem surrealista, um basta pra vida que a gente decide levar durante anos e uma iniciativa de "quebrar a casca do ovo" que sempre nos protegeu- nos enclausurou.
 A primeira vez que li essa frase, foi na contra capa do livro a que ela pertencia. Peguei-o na biblioteca perto de onde eu trabalhava,uma biblioteca toda pintada de vermelho, pitoresca e bonitinha, parecia uma daquelas casinhas de filmes europeus, alemães mais especificamente (não lembro agora de ter assistido a um filme alemão sequer, mas vale a analogia). Falar em germânicos, o autor do livro é de origem alemã. Herman Hesse, com o "r" bem entonado, a primeira vez que ouvi esse nome, foi com o cantor de uma das minhas bandas prediletas à época. Hernan Hesse, um nome bonito dentre os estranhos nomes de alemães consagrados, Frederich Nietzsche, Karl Marx ... os caras são gênios, mas os nomes deixam a desejar, você pode até me recriminar agora com os dizeres: "Mas como? Ela está falando o nome de deuses em vão. Quanta blasfêmia com os nossos grandes". Foda-se, eu não tenho que achar bonito o nome do cara se eu não acho, são alemães, umas das línguas mais esquisitas fonologicamente que existem, na boa, parem de tanto mimimi, eu estudo os caras e o que os consagram são suas ideias, suas formas de revolucionarem o mundo, pouco importa o nome, onde nasceram e bla bla bla... (Só pra constar, sou marxista, por mais que não me agrade o nome).
 Estava em Herman Hesse, em como soa bonito o nome dele. Até onde eu pesquisei, ele é adepto do Existencialismo de Nietzsche,  vontade de potência pura. E seus livros não fogem a essa regra, Demien, a obra a que pertence a frase do início da conversa, foi o primeiro e último livro do autor que pude ler. Ta, eu não tenho tanta autoridade pra falar do autor, mas li sua obra mais primorosa, depois de O lobo da Estepe, que é uma complementação do Demien na verdade.
" A ave sai do ovo, o ovo é o mundo. Quem quiser nascer tem que destruir o mundo", essa é uma daquelas frases que a gente toma pra vida, principalmente se a vida for igual a vida de Sinclair, o protagonista do livro. A frase sai de Demien, o demônio/ anjo. Sinclair foi criado sobre o manto da religião, numa redoma de alienação e aprisionamento de suas vontades e extintos, retraído e reprimido não soube, até encontrar Demien, o que era sentir-se livre, pertencente a si mesmo. 
 Permiti a vida inteira que me enclausurassem, que me trancafiassem num mundo que eu não merecia viver, eu acreditei nesse mundo com todas as minhas forças, permiti que ele me doasse sentimentos benévolos. Esse mundo me enganou a vida inteira, abri os olhos e vi que o mundo além da casca é uma desgraça e uma benção, uma cólera e uma alegria e que eu não sei viver nele. Fui impedida de aprender. 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Eu ...

Numa página social da internet, recentemente iniciaram uma corrente que funciona da seguinte forma: eu posto um número que alguém determinou, de fatos sobre a minha personalidade e pessoa, e quem clica em curtir o "post" ganha de mim um número de fatos pra falar de si... Enfim, achei o maior barato, ta que é mais uma daquelas exposições desnecessárias que as redes sociais atualmente fazem com que nos sujeitemos a fazer, mas foi legal ver as manias e esquisitices que algumas pessoas descreviam sobre elas mesmas, acabei eu conhecendo, mesmo que superficialmente, um pouco de cada um que se expôs a brincadeira.
Eu  não me dei ao prazer de fazer isso, ou desprazer na visão de uns chatos céticos que logo deram seu veredito de repulsa quanto a brincadeira com dizeres do tipo:"1 fato sobre mim: detesto essas correntes de facebook". 
  Concordo com esse posicionamento contrario, quanto as redes sociais, de que a era da alta informação e compartilhamento das mesmas estão nos enclausurando cada vez mais nos calabouços do mundo virtual e nos restringindo cada vez mais das relações interpessoais, das conversas presenciais e dos laços de afetividade próximos, e que realmente uma corrente como essa só comprova o quanto nós estamos afiados na arte de "facebookear" (desculpem a verborragia) a vida... 
Eu to aqui enrolando, enrolando, tentando me explicar, mas vou chegar ao ponto desejado. Falava do quão achei interessante a iniciativa e logo depois contradisse a minha fala, mas foi só pra deixar um adendo da minha aflição e crítica a esse sistema que estamos criando e fortificando cada dia mais. 
 Por fim, o ponto em que eu queria chegar, era no "Eu", a brincadeira lembrou aqueles poemas de escritores ladinos que têm a mania de enaltecerem a essência, que buscam sempre olhar pro mais simples, esse que passa sempre desapercebido, nessa máquina de fazer o tempo engolir coisas substanciais. Lembrou-me também o início de um filme que não cansaria de ver, " O Fabuloso Destino de Amelie Poulin ", um narrador de voz encantadora descreve as pequenas  manias,  prazeres, e os desgostos que os personagens possuem, Amelie Poulin, por exemplo, ama a sensação que dá ao meter as mãos entre  cereais ou grãos , jogar pedras no rio Senna ...
Sendo assim, quero aqui dar a minha contribuição pra'queles postagens em forma de poeminhas que por dias embelezaram e deram vida e alma àquela rede social. Vamos lá...

Fatos sobre mim:
1- Eu me apaixonei, recentemente, por uma moça linda, aquele cheiro que emanava dela me estonteava. Mas fui tive que desiludir :(
2- Amo abraços, especialmente de crianças. 
3- Assisto séries, novelas, desenhos e filmes que eu costumava assistir quando criança pra sentir a mesma sensação que eu sentia na época ao assistir.
4- Eu consigo replicar sensações, replicando os momentos (considero isso uma tarefa difícil e estranha também)
5- Amo sentir o vento tocando a superfície do meu corpo (frase clichê, mas sinto de verdade)
6- Adoro pisar em folhas secas, de outono.
7- Gosto de olhar o perfil do rosto das pessoas, o relevo que o formato do nariz, boca, olhos, queixo e testa formam na paisagem.
8- Gosto de sentar na cadeira do lado da janela no ônibus, e quando é noite, o motorista deixa as luzes semi acesas.
9- Sei mexer a orelha.
10- Tenho 20 anos, e ainda não transei. E não, não to me guardando pra ninguém. 
11- Tenho complexos horríveis, e auto- estima baixa. (há tempos tento lutar contra isso)
12- Me comparo muito às pessoas, e tento agradá-las em demasia, "me perco no outro, buscado nele um pouco de mim"
13- Sou virginiana, com ascendente em aries (deu merda!)
15- As vezes escrevo coisas, gravo vídeos e guardo tudo que ganho, porque acho que um dia vão fazer um documentário ou filme sobre a minha vida.
16- Admiro tanto algumas pessoas, que chego a me fixar demais nelas, meio psicopático isso, mas é incontrolável.
17- Não gosto do fato de estar envelhecendo.
18- Choro litros com cenas de filmes, teatro. Sou altamente afetável pela catarse das artes. 
19- Sou brasileira, filha de nordestinos, sou negra, bahiana, brasiliense, tenho orgulho da minha ancestralidade, do meu cabelo, da minha cor, amo RAP, música libertária. 
20- Sou um universo de coisas, mas como tudo tem um fim e é limitado, tenho que findar. 

(observações importantes: a progressão numeral atribuída aos fatos não possui relevância ou agrega o papel de classificar o primeiro como mais importante que o ultimo) 








sábado, 16 de novembro de 2013

Um pedaço de sentimento...

"Parsabens pela terceira vez no dia, parabens por ser desse seu jeito lindo de ser, parabens por mais de um ano vc salegrando, mas eu falo obrigado por vc entrar na minha vida, obrigado por vc ouvir todas as minhas besteiras e uainda continuar comigo, obrigado por mesmo q eu ñ faça um texto descente, vc ainda encherga o q eu quero drizer, Obrigado por vc ser vc em minha vida"

sábado, 14 de setembro de 2013

Ana é uma mulher tão independente

Ana nasceu em setembro o "mês das flores". Detesta setembros. Detesta a simbologia das flores.
Ensinaram-lhe a ser flor a vida inteira, desde aquele início de noite num dia do horroroso setembro de noventa e três. Ana recusa-se a ser flor; delicada e frágil. Quer ser o que quiser, seja flor ou cravo.
-Ana, cruze essas pernas, você parece um homem. Sua postura é indigna de uma mocinha.
-Ana, cale a boca, você não sabe o que diz.
-Ana, menina do cabelo duro, "passe um alisante que ajuda a melhorar"
-Ana, vá limpar a casa, essa é uma obrigação sua, seu irmão é homem não pode fazer as coisas da casa.
...
Cresceu com sopros da monstruosa alienação humana aos ouvidos, cresceu sendo alvejada por tudo que a oprimia. Decresceu-se.
Chegou ao ponto crucial de pensar que era inferior, que não podia isso ou aquilo por ser mulher, por ser negra, por não ter a cor padronizada.
Cresceu chorando de dor, de raiva, de impossibilidade. Hoje tem vinte anos, conseguiu libertar-se das amarras, dos grilhões da opressão. Libertou-se, mas não foi libertada. Ainda ouve de sua mãe que tem que limpar a casa enquanto seu irmão lê um livro, ainda ouve dizeres de que seu cabelo é ruim porque não é liso, ainda tem que ouvir que não é boa no que faz por ser mulher.
Ana luta e não se cala. Não mais!

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

  "Quem quiser nascer tem que destruir o mundo "
 Quando eu soltar a minha voz por favor entenda, que palavra por palavra eis aqui uma pessoa se entregando

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Hoje eu senti sua falta, e acho que notei algo que em toda a nossa relação nunca havia percebido. Percebi seu amor, sem o ar asfixiante que ele me causava, menos isso ficou a pureza e a leveza do que você sempre tentou transmitir. Pra mim era desespero, pra você era só amor. Amor à sua maneira.
Você me fez o favor de postar recentemente uma música do Skank que eu sei que era pra mim, porque era sobre nós, porque é sobre você comigo. Confesso que amo o jeito que você me olha, as vezes meio sufocante, mas me olhando e enxergando de um jeito que ninguém pode olhar, porque primeiro: é o seu olhar, distinto e único, e segundo porque é o seu amor: distinto e único...
(...)Quem sabe com ela eu teria as tardes que sempre me passaram, como imagens , como invenção. Se eu não posso ter, eu fico imaginando (...)
 No fim nós nos transformamos em uma sucessão de idealizações. Eu ficava sonhando, criando imagens de mim com você, talvez deitados em qualquer lugar que permitisse que pudéssemos ser nós mesmos, que pudéssemos ser um. Um lugar em que eu pudesse te aceitar do jeito que você é, e amar o seu jeito sem reservas. Algo em  mim ou em você me paralisa, não sei com você e também não sei sem você. É pedir demais clareza e objetividade? Eu vivo reclamando da confusão que é a minha vida, mas acho que se fosse assim, tão claro e objetivo, não seria a minha vida. Mas exclusivamente nesse caso, queria muito ser ou não ser (sua amante), sem meios termos, sem ambiguidades.. Queria que fosse simples. Mas não o é.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

http://www.brasildefato.com.br/node/13143

"O conflito que temos visto se explicitar nas estradas do Mato Grosso do Sul, na Amazônia e até aqui, no Morro dos Cavalos, nada mais é do que a luta de classe, típica do capitalismo. De um lado, o latifúndio defendendo seus interesses, do outro, os explorados, buscando vida digna. E, no meio disso tudo uma nação alienada pela constante deformação informativa da mídia comercial que transforma em inimigo aqueles que são as vítimas do sistema" (...)
"O que farias tu se alguém chegasse na tua casa e te arrancasse dali sob o pretexto de que é preciso passar por ali o progresso - mas não de todos, apenas de alguns? Porque o direito do agronegócio é maior do que o de uma comunidade inteira? 
Essas são perguntas que não querem e não podem calar. Todo apoio aos irmãos indígenas! "






quinta-feira, 23 de maio de 2013

Torturadores lá e cá (Comissão da verdade?) ...



"Os dias mais recuados de sua infância, o dia em que dissera: "Serei livre", o dia em que dissera: "Serei grande", apareciam-lhe, ainda agora, com seu futuro particular, como um pequenino céu pessoal e bem redondo em cima deles, e esse futuro era ele, ele tal e qual era agora, cansado e amadurecido. Tinham direitos sobre ele e através de todo aquele tempo decorrido mantinham suas exigências, e ele tinha amiúde remorsos abafantes, porque o seu presente negligente e cético era o velho futuro dos dias passados. Era a ele que eles tinham esperado vinte anos, era dele, desse homem cansado, que uma criança dura exigira a realização de suas esperanças; dependia dele que os juramentos infantis permanecessem infantis para sempre, ou se tornassem os primeiros sinais de um destino. Seu passado sofria sem cessar os retoques do presente; cada dia vivido destruía um pouco mais os velhos sonhos de grandeza, e cada novo dia tinha um novo futuro; de espera em espera, de futuro em futuro, a vida dele deslizava docemente...em direção a quê? "

Sartre

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O "Será" do Renato nunca fez tanto sentido pro que não faz sentido ...

Será que tudo que a gente é ,é só. É ser sozinho?
Será que o mundo em sua condição de um não saber ser uno? Quer , o tempo  todo, ser segregação ?
 "O que liberta, é também prisão"... Será que tanta liberdade, tantas maneiras de falar, tornou-nos presos, mudos, cegos? Será que o nosso ego conseguiu de uma vez por todas enclausurar-nos?
...
Uma parte sem nexo: Será que a morte é tão fria e bélica, que mal consigo olhá-la e fitá-la sem chorar ou sentir desespero?
 ...
... CONTINUA

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Sobre a redução da maior idade penal...

 É de praxe, todos os dias, ao acessar minhas contas em redes sociais, apreciar a lamentável "opinião" das pessoas no que concerne a redução da maior idade penal no Brasil. Muitas, vasculhando os perfis de outros "apreciáveis amigos" acham um post maneiro com uma crítica que ao ser postada em suas páginas mostrará o quanto eles entendem do assunto e sabem discorrer sobre o mesmo, escancaram a mais perfeita ignorância. Com dizeres do tipo " Tem idade pra roubar e matar, então também tem pra ser preso", os mais revoltosos procuram até instituir a lei do Talião, novamente  "Roubou. decepa um dedo! Matou, vai pra pena de morte"... (tsc tsc tsc)    .. E essa análise vai pra vocês, críticos e esclarecidos amigos das páginas sociais, e os que eu encontro na rua praticando o oficio de papagaios do facebook (Ops. Denunciei!). O problema é bem mais profundo do que a vãs superficialidades de vocês podem sugerir.
Apreciem ...


"Aumentar o rol de pessoas que responderiam perante o Direito Penal e diminuir o caráter social do que é social, antes de tudo e principalmente nessa fase de formação (a adolescência), é ir contra as verdadeiras causas e possibilidades de solucionar o problema."]


http://revistaforum.com.br/blog/2013/04/reducao-da-maioridade-penal-justica-ou-vinganca/

sábado, 4 de maio de 2013

UnB revendo as cotas raciais em 2013 ...

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/ensino_ensinosuperior/2013/04/29/ensino_ensinosuperior_interna,363066/cotas-raciais-serao-rediscutidas-na-unb.shtml


( Revista Veja e seus sensacionalismos baratos)
 O famoso caso dos irmãos gêmeos, Alan e Alex, que em 2010 prestaram vestibular e optaram pelas cotas para negros, na Universidade de Brasília (UnB). A matinada começou quando um dos irmãos fora considerado branco pela banca examinadora, enquanto o outro alcançava sua participação na modalidade de cotas para negros.   À época, o sistema requeria do candidato para concorrer através das cotas, apenas uma foto. O caso alcançou a mídia nacional  e agregou força ao argumento de opositores à implementação da lei de cotas nas universidades, gerando um redemoinho de discussões ainda maior.
  Em 2013, a UnB rediscutirá o assunto das cotas raciais, colocando em pauta seus, benefícios, seus malefícios, seu futuro, sua ascensão, ou o seu retrocesso.

domingo, 28 de abril de 2013

Quintanando ...


Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

terça-feira, 23 de abril de 2013

Mulher Negra ...


Enquanto o couro do chicote cortava a carne, 
A dor metabolizada fortificava o caráter; 
A colônia produziu muito mais que cativos, 
Fez heroínas que pra não gerar escravos matavam os filhos; 
Não fomos vencidas pela anulação social, 
Sobrevivemos à ausência na novela, no comercial; 
O sistema pode até me transformar em empregada, 
Mas não pode me fazer raciocinar como criada; 
Enquanto mulheres convencionais lutam contra o machismo, 
As negras duelam pra vencer o machismo, 
O preconceito, o racismo; 
Lutam pra reverter o processo de aniquilação 
Que encarcera afros descendentes em cubículos na prisão; 
Não existe lei maria da penha que nos proteja, 
Da violência de nos submeter aos cargos de limpeza; 
De ler nos banheiros das faculdades hitleristas, 
Fora macacos cotistas; 
Pelo processo branqueador não sou a beleza padrão, 
Mas na lei dos justos sou a personificação da determinação; 
Navios negreiros e apelidos dados pelo escravizador 
Falharam na missão de me dar complexo de inferior; 
Não sou a subalterna que o senhorio crê que construiu, 
Meu lugar não é nos calvários do brasil; 
Se um dia eu tiver que me alistar no tráfico do morro, 
É porque a lei áurea não passa de um texto morto;

Não precisa se esconder segurança, 
Sei que cê tá me seguindo, pela minha feição, minha trança; 
Sei que no seu curso de protetor de dono praia, 
Ensinaram que as negras saem do mercado 
Com produtos em baixo da saia; 
Não quero um pote de manteiga ou um xampu, 
Quero frear o maquinário que me dá rodo e uru; 
Fazer o meu povo entender que é inadmissível, 
Se contentar com as bolsas estudantis do péssimo ensino; 
Cansei de ver a minha gente nas estatísticas, 
Das mães solteiras, detentas, diaristas. 
O aço das novas correntes não aprisiona minha mente, 
Não me compra e não me faz mostrar os dentes; 
Mulher negra não se acostume com termo depreciativo, 
Não é melhor ter cabelo liso, nariz fino; 
Nossos traços faciais são como letras de um documento, 
Que mantém vivo o maior crime de todos os tempos; 
Fique de pé pelos que no mar foram jogados, 
Pelos corpos que nos pelourinhos foram descarnados. 
Não deixe que te façam pensar que o nosso papel na pátria 
É atrair gringo turista interpretando mulata; 
Podem pagar menos pelos os mesmos serviços, 
Atacar nossas religiões, acusar de feitiços; 
Menosprezar a nossa contribuição na cultura brasileira, 
Mas não podem arrancar o orgulho de nossa pele negra;

Mulheres negras são como mantas kevlar, 
Preparadas pela vida para suportar; 
O racismo, os tiros, o eurocentrismo, 
Abalam mais não deixam nossos neurônios cativos

sábado, 13 de abril de 2013

Treinando Redação ...


(Então, mais um ano de vestibular pra mim, infelizmente! Tenho que treinar redações, e é uma ótima ideia publicá-las aqui, afinal, é um espaço meu, quase um diário. Quem estiver lendo, independente de me conhecer ou não, atribui uma nota (de 1 a 10), é super importante pra mim e uma ótima maneira de ajudarem. Não tenham medo de contradizer, de achar ruim, péssimo, de apontar os grotescos erros gramaticais. Ajudem-me, por favor?Se eu passar no vestiba, juro que vou ser muito feliz :D ) 

2° Vestibular de 2009, Universidade de Brasília
Elabore um texto constituído de duas partes. Na primeira parte, narre, de forma sucinta, a história de um filme que tenha contribuído para o desenvolvimento de sua
consciência crítica acerca das relações afetivas ou sociais; na segunda, explicite por que você considerou relevante esse filme.


O Grande Ditador
    O Grande Ditador é uma produção de Charles Chaplin, grande cineasta e ator britânico da década de 40. O filme faz uma sátira ao regime nazista, no período da Segunda Grande Guerra, onde Hynkel-  analogia explícita  a Hitler, líder no totalitarismo alemão- é um ser autoritário e tirano, que impera suas formas atrozes de governo, transformando uma nação em milhares de cabeças alienadas. No outro lado  da história, aparece o simples barbeiro judeu, atrapalhado e divertido, que após voltar dos campos de batalha, auspicia voltar a praticar seu ofício. Ambos os personagens são interpretados pelo mesmo ator, Charles Chaplin, o que atribui uma peculiaridade genial ao desfecho do filme.
    Com a semelhança dos personagens, na ultima parte do filme o simplório barbeiro judeu, que em toda a trama tenta fugir de militares que intentam prendê-lo, em sua ultima fuga é confundido com o imperador Hynkel, e levado a um palanque para discursar  a uma multidão, que espera efusivamente pelo discurso. O barbeiro judeu, que faz parte de minoria de alvejados e procurados para morte, manda seu recado simples e pacífico a toda multidão que o assiste, recado esse que fundamenta a paz em meio a todo horror existente na época, decretando  em suas palavras de maneira simples, a paz, o respeito e amor ao próximo, independente da cor, etnia, religião ou crença.
  Na elaboração dessa história é explicita intenção do autor, porém perspicaz a semelhança que mostra igualdade e ao mesmo tempo diferença, diferença na maneira humana, nos idéias, nas intenções dos personagens. Essa ambiguidade, de certa forma um maniqueísmo quase cristão, atribuiu a maneira que possuo de enxergar o mundo, a maneira bucólica e digna do barbeiro judeu viver e mostrar-se  oposto a guerra, as atrocidades humanas, com uma mensagem simples de amor e respeito mútuo em meio ao terror das relações humanas.
   Claramente, vê-se que a mensagem do filme, que fora feito  no contexto exato da Grande Guerra, reverbera até os dias de hoje. Acredito que bem mais que satirizar a então realidade que cercava o mundo entre os anos 1939 e 1945, o filme traduz uma mensagem geral e complexa que deve-se aplicar a qualquer contexto histórico, nação, qualquer relação e principalmente à esperança de um mundo melhor. 

 Sem dúvidas, um dos melhores filmes que já assisti. 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Mil faces de um homem leal ... Marighella



Foi aprendendo a ler

Olhando mundo à volta
E prestando atenção
No que não estava a vista
Assim nasce um comunista ... 
Vida sem utopia, não entendo que exista 

terça-feira, 9 de abril de 2013

...


LENTE DE CONTATO

Será que você pode olhar no fundo dos meus olhos?
Será que você pode acreditar na sua visão?
Esquece o que o seu pai disse!
Vê se muda essa situação.

Sou negra.
Estou aqui diante dos seus olhos
Esperando você despir o seu preconceito,
Pra gente encontrar um jeito de ser feliz.

Ah, o meu cabelo natural, isento de culpa,
Vai bem obrigada.

Que bom você ter sido espetado pela consciência.
Que bom você ter sido cutucado pela consistência.
Será que dá pra você tirar essa lente distorcida
Que tanto atrapalha o nosso contato?

Cristiane Sobral 

sábado, 30 de março de 2013

De tudo quanto sou  feita e vivida tenho de me enaltecer, talvez na genealogia sou filha do holocausto, da escravidão, da escória sofrida ou em contrapartida extremista, senhora de escravos, mãe de mortes injustas,  muito terror me causa, ser talvez parte de um mundo do qual não quis fazer parte, mas corro o risco de ter e pertencer ... No sangue, no fenótipo, sou brasileira, mistura louca de etnias, feita de fios lindamente anelados, de olhos copiosos, magnos, de crânio e face nortista e nordestina ... A cor? Ah, a cor, essa que tanto lhe importa, sei ser todas, porque sou de todas, por ser do verde e do amarelo, sou brasileira, sou negra, sou branca, sou índia ...

segunda-feira, 25 de março de 2013

Sinto falta do teu ouvir, do teu alento mesmo que distante e frio, do teu sorriso maníaco e assustador, dos seus gestos confusos e estranhos, do jeito atrapalhado de demonstrar carinho, da sua insisitência em dizer que não sabe o que sente,da sua apatia e estupidez, acho que, na verdade, não é saudade, é nostalgia melancolizada, falta de ar, de lugar, é medo ...

segunda-feira, 18 de março de 2013


' can't stop questioning
Oh God of love, peace, and mercy
Why so much suffering? '

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

   Não ouses lançar a mim ou quem quer que seja verbetes que limitam a imensidão de seres que sou e que somos.
   Inquieto-me ao ouvir lançarem frases curtas, adjetivos vazios, na tentativa de interpretarem uns aos outros.       Digam-me o que querem? Procuram estabelecer, procuram julgar, determinar o incabível, o mais profundo profano que possui um ser? O que exatamente causa regozijo na demarcação de uma alma?
   Tome tento antes do erro ínfimo de limitar alguém, enxergue-se a si mesmo com os olhos de tua alma, perceba que possui um universo dentro de si, e que ofensa maior que restringir algo tão vasto e intrínseco a pressupostos vazios, não há!
   Diz o poeta: "Navegar é preciso", não há criatura no mundo que mais concorde com tal conselho. Navegue, mergulhe, descubra o que existe nas almas que lho circundam, tome anos ao lado desses seres, e ainda assim, correrás o risco de limitar. Andam com preguiça de navegar, não é atoa que vivemos a era dos sedentários, diria-se que é o novo "mal do século", não sabemos mais que somos, não tomamos tempo a ocupar-nos em descobrir o outro, estamos a perder-nos cada vez mais no calabouço da individualidade.