sábado, 14 de setembro de 2013

Ana é uma mulher tão independente

Ana nasceu em setembro o "mês das flores". Detesta setembros. Detesta a simbologia das flores.
Ensinaram-lhe a ser flor a vida inteira, desde aquele início de noite num dia do horroroso setembro de noventa e três. Ana recusa-se a ser flor; delicada e frágil. Quer ser o que quiser, seja flor ou cravo.
-Ana, cruze essas pernas, você parece um homem. Sua postura é indigna de uma mocinha.
-Ana, cale a boca, você não sabe o que diz.
-Ana, menina do cabelo duro, "passe um alisante que ajuda a melhorar"
-Ana, vá limpar a casa, essa é uma obrigação sua, seu irmão é homem não pode fazer as coisas da casa.
...
Cresceu com sopros da monstruosa alienação humana aos ouvidos, cresceu sendo alvejada por tudo que a oprimia. Decresceu-se.
Chegou ao ponto crucial de pensar que era inferior, que não podia isso ou aquilo por ser mulher, por ser negra, por não ter a cor padronizada.
Cresceu chorando de dor, de raiva, de impossibilidade. Hoje tem vinte anos, conseguiu libertar-se das amarras, dos grilhões da opressão. Libertou-se, mas não foi libertada. Ainda ouve de sua mãe que tem que limpar a casa enquanto seu irmão lê um livro, ainda ouve dizeres de que seu cabelo é ruim porque não é liso, ainda tem que ouvir que não é boa no que faz por ser mulher.
Ana luta e não se cala. Não mais!

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