Meu avô chegou de surpresa a minha casa hoje pela manhã. Chegou macambúzio, com o olhar triste, mas sereno. O motivo: preocupação com o mundo, com o seu mundo. Me pareço tanto com ele!
... Escreverei sobre o não dito, sem me importar com o suspiro do ultraje do censor e da audiência. Finalmente, escrevo porque tenho medo de escrever, mas tenho um medo maior de não escrever ... Glória Anzaldúa
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
"É tão bom quando a luz acaba"
Minha irmã e eu assistíamos a um filme na TV quando ela me disse isso. Ela disse depois de uma cena em que a energia elétrica do local desaparece. Os personagens odeiam porque no momento estavam se falando via rede social na internet. O filme fala exatamente dessa nova era digital e tecnológica, de "avanços" na comunicação humana fazendo críticas poéticas com a atual situação da espécie que está acostumada com a solidão no meio da multidão e ao excesso de comunicação.
Fui arremessada para memórias boas do meu passado quando a minha irmã resolveu, também poeticamente, falar isso. Lembrei de quando a luz acaba aqui onde eu moro, que antigamente era com mais frequência. Sem televisão, joguinhos eletrônicos, computador e tudo que dependesse de energia elétrica, me lembro de uma vez em ocorreu de a luz faltar e todos os meus vizinhos irem pra frente de casa, como mágica mesmo, por mais que a motivação fosse clara. Eu e os meus amigos sentamos em frente a casa do meu vizinho de parede e começamos a conversar e rir em meio a escuridão. Se eu bem me lembro a lua estava a mostra e iluminava pouco. Depois brincamos de alguma brincadeira presencial, vívida, de toques e sensações intensas, acho que foi pique esconde (nada melhor pro contexto de falta de energia).
Depois me lembrei de quando era criança, a minha casa era mais humilde do que hoje e dormíamos, os três filhos, no mesmo quarto dos meus pais. Quando faltava luz eu e meus irmãos íamos direto pra cama deles, por medo do escuro mesmo, e meu pai contava histórias inventadas pela imaginação de sertanejo baiano e criativo que só ele tem. Eram incríveis histórias que causavam medo e uma sensação tão boa que até hoje me lembro e tenho profunda saudade.
"Frequência afetiva, qual é a sua?

Dias desses mandei um inbox parabenizando uma amiga querida pelo seu aniversário. Na verdade, eram votos atrasados, já que ela tinha aniversariado no dia anterior. Ao agradecer meu pequeno textinho, ela escreveu: “gratidão pelo carinho e energia positiva, também por aceitar minha frequência afetiva”.
Por Eduardo Benesi Do Entenda os Homens
Eu nunca tinha lido essa expressão “frequência afetiva” e ela ficou na minha cabeça por alguns dias. Propositalmente, não perguntei a ela o que aquilo significava porque eu simplesmente quis atribuir o meu sentido para aquela expressão tão especial, usada em um contexto tão carinhoso, por uma pessoa tão profunda.
Comecei a pensar que todos nós tínhamos a tal frequência afetiva. Essa ideia talvez estivesse diretamente ligada ao nível de presença que exercemos na vida das pessoas importantes para nós e também a forma como demonstramos isso. Pensei então em alguns exemplos de amigos que possuíam frequências afetivas muito especificas:
– A Natalia é uma amiga dos tempos de faculdade muito querida. Era daquele tipo do fundão que se infiltra no seu grupo sem você convidar, mas que no fim fazia tudo certinho. Sua característica marcante era o fato dela apreciar novelas do canal Viva – isso era um segredo dela.
Depois que deixamos de conviver, comecei a perceber que eu só conseguia marcar algo com ela de seis em seis meses, em média. Que se eu tentava marcar coisas com intervalos menores, por algum motivo, o role não saia. Passei a aceitar que esse era o tempo dela e que isso não diminuía a minha importância em sua vida. Até hoje mantemos essa amizade tão especial quanto semestral.
– Tem a Carol que foi minha amiga da época de acampamento. A Carol é muito intensa e já viveu as fases mais exóticas que você pode imaginar. Ela já quis ser cigana e atriz, já foi para Brasília para defender ideias de esquerda, já morou nos Estados Unidos e em Londres e hoje trabalha como professora. O fato é que nessas fases de turbilhão a Carol sumia por muito tempo, tipo quatro anos, e depois reaparecia do nada.
Depois, sumia novamente por tempo indeterminado e eu nunca sabia em que momento da vida eu encontraria ela novamente. Nossa amizade sempre teve esses intervalos bruscos, sem data para a próxima vez. Há dois meses a Carol me chamou para ser padrinho do seu casamento. E eu me dei conta de que essa falta de obrigatoriedade temporal na nossa amizade pouco influía na consideração que um tinha pelo outro.
– Tem o exemplo da Divimary. Nós temos uma amizade cinéfila. Nossos encontros são assíduos até hoje. Ao menos uma vez por mês damos um jeito de marcar nosso café com cinema. Desde os tempos de faculdade, nos acostumamos a passar tardes na Rua Augusta, regadas a filmes de todos os tipos e passeios sem destino. Ela é daquele tipo de amiga que para te ajudar, manda o seu currículo sem você saber e chega a ir à entrevista de emprego junto pra te dar apoio moral.
É daquelas que te dão apoio quando você esta começando algo incerto e faz propaganda positiva sobre você para todos os outros amigos dela. É engraçado que mesmo não fazendo por ela exatamente na mesma medida o que ela faz por mim, tenho a certeza que ela aceita a minha frequência afetiva.
A ideia de “frequência afetiva” a meu ver envolve muito de aceitar o que o outro tem pra te oferecer, mas principalmente o que ele não tem. Nos últimos meses passei por diversas situações em que eu tive que dizer não para alguns amigos e pessoas queridas. A verdade é que quanto mais relações afetivas você tenta manter, mais você tem que disponibilizar o seu tempo e fazer escolhas em prol delas. Muitas vezes, essas escolhas não vão favorecer um amigo seu e a maneira como ele reage a isso é um momento importante para que você se descubra seletivo em suas relações.
Às vezes você não diz não por egoísmo, às vezes você diz não porque tinha outra prioridade. Você conhece verdadeiramente as pessoas – que supostamente gostam de você – quando observa como elas se comportam diante desse não. Existe a situação oposta: aquelas amigos que nunca podem fazer nada, que de 100 convites, topam apenas um. Eu não deixo de ser amigo dessas pessoas por isso, mas elas deixam de ser prioridade na hora de pensar em quem vou chamar pra ir pra balada ou pro teatro. Na minha escala de amizades assíduas, os amigos que costumam topar coisas em cima da hora costumam naturalmente estar no topo das minhas prioridades.
Essa aceitação vale para todo tipo de relação, inclusive para as familiares ou para os namoros. Existem relações familiares que se estabelecem apenas pela convenção das datas comemorativas. Primos que você vê somente no Natal e que talvez você não procure durante o ano exatamente por isso. Porque esse tipo de frequência estabeleceu-se na relação com eles e não porque no fundo você só os vê pela obrigação da data.
A frequência também envolve o jeito de demonstrar afeto. No mundo também existe gente que “não gosta” de receber ou demonstrar afeto ou que não é de abraço, pior ainda se for demorado. Tem até gente que não lida bem com elogios. E essa negociação de espaços é muito importante. Saber colocar em prática a arte da empatia tentando entender e tolerar o outro da maneira como ele é, caso você faça questão da relação.
Não tem como finalizar esse texto sem tocar em um tipo de frequência afetiva extremamente importante na vida virtual. A frequência de likes. Existem aqueles amigos que não são de entrar na internet ou de interagirem em redes sociais. Tem os que leem você em silêncio ou aqueles que simplesmente têm preguiça do que você escreve – não necessariamente preguiça de você.
Existem os que usam o like como uma forma de vínculo/interação/ manutenção de relação. Existe até aquela pessoa que estranhamente só da like quando você conta alguma zica que te aconteceu. Existe também o ciúme. – Por que ela vive dando like no amiguinho e não em mim?
Na vida conjugal as coisas ficam um pouco mais delicadas. Quanto menos expectativas sobre o seu par melhor. Mas e pra baixá-las? É difícil entender que existem parceiros que se esquecem de datas importantes ou namoradas que não sentem ciúme de você e pronto. Aceitar uma vida a dois tem muito de estarmos preparados para tudo o que não iremos receber. Você está preparado para não receber? Você está preparado para receber, só que não exatamente da forma que esperava? Você respeita a frequência afetiva dos outros?"
Leia a matéria completa em: Frequência afetiva, qual é a sua? - Geledés
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Desespero, arreda de perto de mim!
Deixe-me respirar de alívio sereno
Sentir a calma que eu sei que mereço
Afastem-se as culpas que carrego tão displicente contra mim mesma
Dê-me a chance de ser melhor do que fui
Nunca retrocessos, a menos que sejam necessários
Meu espírito só sabe gritar, bradar, reclamar
Quero calma
Quero beijo e encontro de alma
Alma fortalecida
Aquecida
Que eu só me baste
Nesse desespero sem freio.
Amém!
Amém!
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Sabe, gente.
É tanta coisa pra gente saber.
O que cantar, como andar, onde ir.
O que dizer, o que calar, a quem querer.
Sabe, gente.
É tanta coisa que eu fico sem jeito.
Sou eu sozinho e esse nó no peito.
Já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder.
Sabe, gente.
Eu sei que no fundo o problema é só da gente.
E só do coração dizer não, quando a mente.
Tenta nos levar pra casa do sofrer.
E quando escutar um samba-canção.
Assim como: "Eu preciso aprender a ser só".
Reagir e ouvir o coração responder:
"Eu preciso aprender a só ser."
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Pedro, eu sei que algum dia eu vou dar a louca e te mostrar esse texto, porque eu sempre acabo me mostrando no final, mesmo tentando, com todas as forças, me esconder. E eu já mostrei muito de mim pra você e depois me arrependi, porque eu acho que na maioria das vezes as pessoas não estão preparadas pro que eu tenho a dizer e mostrar, ou eu mesma não estou preparada pra incompreensão delas. E não é te cobrando algo nem nada do tipo, mas acho que nunca me senti compreendida por você, é dessas coisas de sentimento mesmo, não tem como forçar ou tentar mentir o que a gente sente.
Tenho sonhado muito com você, basicamente todas as noites e nos cochilos durante o dia. Na inconsciência de recém acordada, depois dos sonhos, sempre devaneio e balbucio algumas palavras direcionadas a você, algo que parece uma prece desesperada: Pedro, por favor, me deixe por completo. Eu fiquei fora do quadradinho de concreto e pouco ar puro pra respirar que é Brasília por pouco menos de um mês, e lá tudo parecia melhor; a minha força, minha maneira de lidar com a vida, com as pessoas, com você... E, de fato, foi uma dádiva poder conhecer um pouco da minha essência mais primitiva naquele lugar, que é meu lugar de pertencimento no mundo, além de Brasília, que é outro tipo de pertencer que não me afeta muito. Entrei no mais profundo dos meus sentimentos pra tentar tirar aprendizagens necessárias deles e pude entender algumas coisas, mas em compensação outras foram pura incompreensão. Traguei um pouco da dor que eu me causei por você, senti ela com afinco pra tentar me desfazer por inteiro dela, talvez eu só tenha me afundado mais, mas não importa muito, eu chorei o que tinha pra chorar e isso já foi um pouco de liberdade.
Entendi que nos maltratamos numa proporção sem tamanho, e confesso que não fui leal a você, e isso me corrói. Uma amiga, quando eu falava de você e de como nossa relação se desenvolvia parou e me disse somente isso: Lealdade! É só o que tenho pra dizer. Eu não absorvi naquele momento, mas hoje me refazendo, percebo o que ela tentava me dizer. Eu feri uma parte importante de você, e não importa se isso beira a uma submissão a vontade do outro, como os libertários dizem, não consigo admitir que eu tenha tratado um sentimento seu com tanta displicência. Mas eu juro, e não acredito que quem jura mente, que não fiz nada disso com intenção de ferir, foi por incompreensão mesmo, por falta de entendimento das coisas e de você. Ante isso, eu espero de alma, que sua alma perdoe a minha e que tudo isso seja levado pela leveza que a vida há de ter de dentro de nós.
Você pode não achar isso agora, porque você tem um pouco disso de achar que tem razão em tudo, que eu acho que é só uma forma de se convencer pra conseguir continuar seu caminho em paz e sem auto cobranças, mas você também me feriu. Eu não consigo te perdoar agora por isso também, e por isso não cobro de você que me perdoe logo pelo que fiz. Ontem eu quase sucumbi ao desespero, novamente, mas hoje já estou um pouco mais fortalecida. Desabafar é sempre bom. Que sejamos leves um dia , Pedro. Eu ainda amo muito você e não tenho suportado essa chance de te perder completamente.
Tenha um dia feliz
Tenho sonhado muito com você, basicamente todas as noites e nos cochilos durante o dia. Na inconsciência de recém acordada, depois dos sonhos, sempre devaneio e balbucio algumas palavras direcionadas a você, algo que parece uma prece desesperada: Pedro, por favor, me deixe por completo. Eu fiquei fora do quadradinho de concreto e pouco ar puro pra respirar que é Brasília por pouco menos de um mês, e lá tudo parecia melhor; a minha força, minha maneira de lidar com a vida, com as pessoas, com você... E, de fato, foi uma dádiva poder conhecer um pouco da minha essência mais primitiva naquele lugar, que é meu lugar de pertencimento no mundo, além de Brasília, que é outro tipo de pertencer que não me afeta muito. Entrei no mais profundo dos meus sentimentos pra tentar tirar aprendizagens necessárias deles e pude entender algumas coisas, mas em compensação outras foram pura incompreensão. Traguei um pouco da dor que eu me causei por você, senti ela com afinco pra tentar me desfazer por inteiro dela, talvez eu só tenha me afundado mais, mas não importa muito, eu chorei o que tinha pra chorar e isso já foi um pouco de liberdade.
Entendi que nos maltratamos numa proporção sem tamanho, e confesso que não fui leal a você, e isso me corrói. Uma amiga, quando eu falava de você e de como nossa relação se desenvolvia parou e me disse somente isso: Lealdade! É só o que tenho pra dizer. Eu não absorvi naquele momento, mas hoje me refazendo, percebo o que ela tentava me dizer. Eu feri uma parte importante de você, e não importa se isso beira a uma submissão a vontade do outro, como os libertários dizem, não consigo admitir que eu tenha tratado um sentimento seu com tanta displicência. Mas eu juro, e não acredito que quem jura mente, que não fiz nada disso com intenção de ferir, foi por incompreensão mesmo, por falta de entendimento das coisas e de você. Ante isso, eu espero de alma, que sua alma perdoe a minha e que tudo isso seja levado pela leveza que a vida há de ter de dentro de nós.
Você pode não achar isso agora, porque você tem um pouco disso de achar que tem razão em tudo, que eu acho que é só uma forma de se convencer pra conseguir continuar seu caminho em paz e sem auto cobranças, mas você também me feriu. Eu não consigo te perdoar agora por isso também, e por isso não cobro de você que me perdoe logo pelo que fiz. Ontem eu quase sucumbi ao desespero, novamente, mas hoje já estou um pouco mais fortalecida. Desabafar é sempre bom. Que sejamos leves um dia , Pedro. Eu ainda amo muito você e não tenho suportado essa chance de te perder completamente.
Tenha um dia feliz
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