sábado, 7 de fevereiro de 2015

Pedro, eu sei que algum dia eu vou dar a louca e te mostrar esse texto, porque eu sempre acabo me mostrando no final, mesmo tentando, com todas as forças, me esconder. E eu já mostrei muito de mim pra você e depois me arrependi, porque eu acho que na maioria das vezes as pessoas não estão preparadas pro que eu tenho a dizer e mostrar, ou eu mesma não estou preparada pra incompreensão delas. E não é te cobrando algo nem nada do tipo, mas acho que nunca me senti compreendida por você, é dessas coisas de sentimento mesmo, não tem como forçar ou tentar mentir o que a  gente sente.
Tenho sonhado muito com você, basicamente todas as noites e nos cochilos durante o dia. Na inconsciência de recém acordada, depois dos sonhos, sempre devaneio e balbucio algumas palavras direcionadas a você, algo que parece uma prece desesperada: Pedro, por favor, me deixe por completo. Eu fiquei fora do quadradinho de concreto e pouco ar puro pra respirar que é Brasília por pouco menos de um mês, e lá tudo parecia melhor; a minha força, minha maneira de lidar com a vida, com as pessoas, com você... E, de fato, foi uma dádiva poder conhecer um pouco da minha essência mais primitiva naquele lugar, que é meu lugar de pertencimento no mundo, além de Brasília, que é outro tipo de pertencer que não me afeta muito. Entrei no mais profundo dos meus sentimentos pra tentar tirar aprendizagens necessárias deles e pude entender algumas coisas, mas em compensação outras foram pura incompreensão. Traguei um pouco da dor que eu me causei por você, senti ela com afinco pra tentar me desfazer por inteiro dela, talvez eu só tenha me afundado mais, mas não importa muito, eu chorei o que tinha pra chorar e isso já foi um pouco de liberdade.
 Entendi que nos maltratamos numa proporção sem tamanho, e confesso que não fui leal a você, e isso me corrói. Uma amiga, quando eu falava de você e de como nossa relação se desenvolvia parou e me disse somente isso: Lealdade! É só o que tenho pra dizer. Eu não absorvi naquele momento, mas hoje me refazendo, percebo o que ela tentava me dizer. Eu feri uma parte importante de você, e não importa se isso beira a uma submissão a vontade do outro, como os libertários dizem, não consigo admitir que eu tenha tratado um sentimento seu com tanta displicência. Mas eu juro, e não acredito que quem jura mente, que não fiz nada disso com intenção de ferir, foi por incompreensão mesmo, por falta de entendimento das coisas e de você. Ante isso, eu espero de alma, que sua alma perdoe a minha e que tudo isso seja levado pela leveza que a vida há de ter de dentro de nós.
Você pode não achar isso agora, porque você tem um pouco disso de achar que tem razão em tudo, que eu acho que é só uma forma de se convencer pra conseguir continuar seu caminho em paz e sem auto cobranças, mas você também me feriu. Eu não consigo te perdoar agora por isso também, e por isso não cobro de você que me perdoe logo pelo que fiz. Ontem eu quase sucumbi ao desespero, novamente, mas hoje já estou um pouco mais fortalecida. Desabafar é sempre bom. Que sejamos leves um dia , Pedro. Eu ainda amo muito você e não tenho suportado essa chance de te perder completamente.

Tenha um dia feliz

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