quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

"É tão bom quando a luz acaba"

Minha irmã e eu assistíamos a um filme na TV quando ela me disse isso. Ela disse depois de uma cena em que a energia elétrica do local desaparece. Os personagens odeiam porque no momento estavam se falando via rede social na internet. O filme fala exatamente dessa nova era digital e tecnológica, de "avanços" na comunicação humana fazendo críticas poéticas com a atual situação da espécie que está acostumada com a solidão no meio da multidão e ao excesso de comunicação.
Fui arremessada para memórias boas do meu passado quando a minha irmã resolveu, também poeticamente, falar isso. Lembrei de quando a luz acaba aqui onde eu moro, que antigamente era com mais frequência. Sem televisão, joguinhos eletrônicos, computador e tudo que dependesse de energia elétrica, me lembro de uma vez em ocorreu de a luz faltar e todos os meus vizinhos irem pra frente de casa, como mágica mesmo, por mais que a motivação fosse clara. Eu e os meus amigos sentamos em frente a casa do meu vizinho de parede e começamos a conversar e rir em meio a escuridão. Se eu bem me lembro a lua estava a mostra e iluminava pouco. Depois brincamos de alguma brincadeira presencial, vívida, de toques e sensações intensas, acho que foi pique esconde (nada melhor pro contexto de falta de energia).
Depois me lembrei de quando era criança, a minha casa era mais humilde do que hoje e dormíamos, os três filhos, no mesmo quarto dos meus pais. Quando faltava luz eu e meus irmãos íamos direto pra cama deles, por medo do escuro mesmo, e meu pai contava histórias inventadas pela imaginação de sertanejo baiano e criativo que só ele tem. Eram incríveis histórias que causavam medo e uma sensação tão boa que até hoje me lembro e tenho profunda saudade.

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