sexta-feira, 7 de março de 2014

"A pratica da Igreja é nociva à vida" Nietzsche

Depois de longas horas trancafiada em um templo, minha mãe chega em casa liga a TV e vai diretamente a um desses canais religiosos, que exalam uma fé contida e retraída, mas que devora seus fieis, aprisiona seus credores. O momento televisionado é de um Deus exposto num suporte de ouro, para sua demonstração de superioridade e grandeza. Superioridade essa que sufoca as humildes manifestações de  paixão que qualquer um dos fieis que assistem ao programa venham a sentir, para que seja essa paixão suplantada e que surja a partir daí certa passividade e cordialidade em aceitar o sofrimento.
A voz que ministra o momento de adoração ao suporte de ouro com o Deus, afirma que a vida não é festa, que o carnaval passou, e que há de se ter cuidado com a felicidade, com a alegria, com a vontade de vida.
Malditos malfeitores, enclausuram minha pobre mãe numa redoma de dor e cólera, para que com a paciência divina advinda dos céus ela aceite mansamente sua morte pra vida.
Uma vez em súbito de incomodo e aflição ao vê-la dias e noites ajoelhada diante de uma imagem a clamar em prantos que Deus a ouvisse, perguntei o motivo de tanta lamentação, eu que voltava de um ótimo lazer com amigos, daqueles que revigoram a alma e nos aperfeiçoam pra vida, me senti impotente e incompleta ao ver que minha alegria sedia espaço pro seu sofrimento. Respondeu que clamava por mim, pelos meus irmãos, pelo mundo.. Lhe pergunto agora Deus, porque fazer isso com uma alma tão pequena? Jogar sobre a ela um fardo tão grande de chegar ao ponto de achar que sozinha pode rezar e chorar pelo mundo inteiro, impedido-a de viver a vida própria. Não bastasse todo esse fardo, desde pequena o que lhe fora ensinado nos templos a viver o hoje para edificar um lugar ao céu, num dito Reino dos Céus, ensinaram-lhe a negar sua única dádiva, a vida, em prol de uma ilusão inventada.


(continua)

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