terça-feira, 14 de janeiro de 2020

" Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro "

Firmo a prece no coração e na mente e a entoo como mantra:  "ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro"...
Ano passado eu morri várias vezes, e esse ano eu buscarei nas entranhas as fragilidades e as fortalezas que me guiem em um processo de cura. Esse ano eu não morro!

Eu me lembro que no primeiro dia do ano, logo depois da virada, eu senti que não seria um ano fácil 
Prontamente eu associei ao cenário político, porque naquele mesmo dia um general racista, LFBTQfóbico, machista assumiria o poder 
Não seria um ano fácil em vários sentidos. Nesse mesmo dia esse mundo e eu perdemos a Leona. Uma mulher trans, periférica, intensa, cheia de vida e amor, de um sorriso tão gigante e iluminado. Eu soube no dia seguinte essa perda e chorei muito. 

foi a finalização do meu primeiro curso de graduação e havia descoberto que fui classificada em um concurso de cargo temporário como educadora. Tive muito medo, questionei se era isso mesmo, ser educadora, que eu realmente queria. Entrei em um ciclo sem fim de medo e ansiedade sobre isso. Decidi não assumir a vaga a que fui chamada e isso gerou em mim um processo de culpa e medo imensos. 
Tentei viver depois disso, aproveitei o carnaval como nunca antes e logo depois a minha primeira e a pior crise de pânico-ansiedade. Acho que foi ali que as mortes começaram. Não sabia que uma crise de pânico imitava a morte até ali. Era como se estivesse aos poucos e lentamente sumindo. Passei a noite e um dia com uma angustia e aperto no peito que logo em seguida se manifestaram nesse pico de ansiedade que convence o corpo e a mente de que algo muito ruim estava por acontecer.

Convivendo com a ansiedade entendi melhor esse verso "ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro". Porque ano passado eu morri várias vezes, lentamente, ao mesmo tempo que em uma velocidade absurda. Mas esse ano eu não quero morrer mais. 
Terminei 2019 com a decisão de começar um tratamento com medicação. E por isso os efeitos colaterais se arrastaram pra o início desse ano. Eu sou dessas de acreditar que a forma como a gente começa o ano irradia um pouco para como esse ano será vivido. No início, com a minha mente virginiana, triste, pensei que o ano inteiro seria esse momento horrivel dos efeitos colaterais. 
Mas percebi que há um outro ponto muito mais positivo que é o de pensar que esse ano eu vou ter mais força e fé pra acolher minhas fragilidades e me encontrar com um processsode cura e auto-amor. 

"Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro"

Asssim seja
Axé!

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