Desde que acordei até agora, levantei poucas vezes, só para
comer e ir ao banheiro. Sentada nessa cadeira dura e áspera, com movimentos
oprimidos pelo cansaço, e entre as leituras pendentes da semana, as pernas
agitam. Constantemente na tentativa de concentração, me desconcentro quando
percebo que o corpo pede rua, pede movimento.
Pede caminhos pra andar, brincar e sorrir. Pede pousadas em
corações alheios que me acolham e recebam com afeto minha existência. Que saudade
das minhas terras, da minha gente.
Saudade do sorriso do amado, que eu fiz questão de encontrar
longe-aqui. Com ele a experiência do espaço e tempo (re)significam na essência
de um amor denso em levezas e imenso nas singelezas.
Eu não tenho saudades agora. Acho que elas mais me
constituem como ser do que me pertencem. Então, eu sou saudades.
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