Diário de partida
Como é frio esse aeroporto .
Sempre que (me) parto e a distância inicia voo entre nós,
essa paragem entre dois destinos, um que deixo e outro que alcanço, tem o
gélido de um lugar ermo.
Busco alguma brecha de sol que me aqueça o corpo e a alma.
Choro abafado, apertando o peito. Lágrimas gosto de mar.
Teu gesto de viver, teus encantos saem dos olhos como gotas
transbordadas desse mar que é você em mim.
É um luto sem morte. Luto de vida intensa, de “pequenas
mortes”, de paraísos vastos. O pesar vem da ausência, da ruptura repentina, sem
anestesia. Depois de viver uma intimidade suave contigo, parece que um pedaço
grande de mim me foi arrancado. À alma e ao corpo não restam dúvidas que de
nossos encontros geramos uma terceira vida. Uma junção de eu mais você em que
podemos ser um só.
Com você os clichês românticos não são pejorativos, são
realidade pura com sabor de sonho.
Os choros incontroláveis, efeitos dessa partida, dessa parte
que fica.
16 de agosto, 2016
Nenhum comentário:
Postar um comentário