A professora faz um discurso carregado de apontamentos e "críticas construtivas", por mais de uma hora, sobre as provas e trabalhos realizados pela turma e no meio da palestra diz:
- Houve apenas um dez na turma, a média geral foi seis e onze pessoas zeraram o trabalho.
Eu sou um número!
Tenho número pra identidade, um número de pessoa física, um número de residência, um número pra mostrar que eu existo na universidade e no mundo.
Númer(human)os.
Os números por si mesmos são frios, sem vida, sem aparência. São crueis.
Depois de minutos de angústia e aflição a espera da minha prova, vejo um seis e me vejo na média. No trabalho vejo um sete e me sinto superior aos que o zeraram. E depois disso tudo entro num vazio de alma imenso por ceder ao jogo de comparação e disputa com intento de ser "a melhor", pra atingir o dez. O tão almejado dez.
Que meus Orixás me guiem contra essa tirania do ser quantificável e do sistema com seus números padronizantes!
Não! Não sou um número. Me recuso ser número. Porque ser e número na mesma frase não combinam.
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