Estela era moça bonita, pele brasileira, cabelos cumpridos, negros e anelados, cheia de uma juventude alegre e vil.
"Estela não pode ser feliz, tem que sofrer! É mulher, todas nascem para isso ", a frase ecoa aos ouvidos de Estela, sem pudor, fazendo-lhe acreditar e aceitar- mansa, calada, introspectiva, depressiva.
Estela recebe marcas em seu corpo, em sua alma e em sua dignidade, ocasionadas por um monstro a quem entregou toda aquela alegria exposta em seu rosto jovem. Equívoco da minha parte, ela não entregou, ele roubou, espancou, humilhou.
Estela sonhava ir pra São Paulo, estudar, ter amigos, ser feliz ... Mas foi vendida. Venderam-lhe a alma, a alegria de viver, os sonhos, o rosto- forte e delicado- o brilho auspicioso dos olhos.
Estela sofre de um mal imposto, de um mal que há anos permeia e ataca a vida de moças, meninas e mulheres...
Estela sofre de machismo, estupro, preconceito ...
Eu por ser uma das milhares de Estelas, sofro na pele e na alma tudo isso, e é ainda pior quando a cor da minha pele não condiz com a cor padronizada e aceitável eurocêntrica.
Até quando terei de aguentar esse imperialismo de horrores? Essa marcha fúnebre cada vez mais progressiva nomeada feminicídio? Até quando serei subvalorizada simplesmente por ser mulher?
Até quando ?
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